Jornal Estado de Minas

EUA pedem respeito aos direitos humanos na Venezuela

AFP

O governo dos Estados Unidos pediu nesta quinta-feira ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que respeite os direitos humanos durante os protestos no país, enquanto o Senado americano analisava sanções contra Caracas por sua repressão aos manifestantes.

"Tentamos encontrar uma forma de fazer com que o governo Maduro se comprometa com seus cidadãos, que os trate com respeito, que cesse esta campanha de terror contra seu próprio povo e trate de respeitar os direitos humanos", afirmou o secretário americano de Estado, John Kerry, em depoimento à Comissão das Relações Exteriores da Câmara de Representantes.

"Pensamos que chegou o momento de a Organização dos Estados Americanos (OEA), dos vizinhos, dos aliados e de outras organizações internacionais se concentrarem apropriadamente na Venezuela", disse Kerry.

Kerry destacou que o governo americano "não está só falando, mas também dando passos concretos", e recordou que o vice-presidente, Joe Biden, se reuniu no Chile com diversos interlocutores para analisar o tema.

Na quarta-feira, Kerry disse no mesmo Congresso que Washington está "preparado, caso seja necessário, para invocar a Carta Democrática Interamericana da OEA e ativar seriamente (...) sanções" contra Caracas.

Um mês de protestos na Venezuela contra a criminalidade, a inflação, o desabastecimento e a repressão policial já deixou 28 mortos, 365 feridos e 106 detidos.

- Sanções e ajuda para oposição -

Senadores americanos apresentaram nesta quinta um projeto de lei que prevê sanções a autoridades venezuelanas envolvidas em violações dos direitos humanos, e inclui US$ 15 milhões em ajudas a grupos civis.

A legislação para a Defesa dos Direitos Humanos e Sociedade Civil da Venezuela pede ao presidente Barack Obama que ordene o bloqueio de ativos e negue a concessão de vistos a funcionários venezuelanos acusados de violência contra manifestantes.

Além disso, destina US$ 15 milhões do orçamento 2014 para apoiar organizações democráticas e de direitos humanos, veículos de comunicação e o acesso à Internet, assim como ativistas, jornalistas e manifestantes perseguidos na Venezuela.

"Dada a impunidade indecente na Venezuela, não ficaremos de braços cruzados frente às violações dos direitos humanos", disse o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, o democrata Robert Menéndez, principal promotor do texto.

Segundo Menéndez, a legislação "serve como uma forte advertência aos membros do governo, às forças de segurança venezuelanas e a grupos civis armados envolvidos na violência".

"Os Estados Unidos não toleram esse tipo de conduta e, em consequência, responderão para ajudar a fortalecer a sociedade civil venezuelana, enquanto se aplicam sanções específicas contra os indivíduos responsáveis, completou.

O projeto, patrocinado por três senadores democratas e dois republicanos, deveria ser discutido em duas semanas no Comissão de Relações Exteriores do Senado.

Uma resolução similar já avançou, de forma separada, no plenário da Câmara, e condena Caracas por sua repressão contra manifestantes.

"É o momento de estar com o povo venezuelano e de aumentar a pressão no regime de Maduro", afirmou o senador republicano Marco Rubio.

.