O Parlamento sírio aprovou nesta quinta-feira artigos da nova lei eleitoral que excluem a oposição no exílio das próximas presidenciais, previstas para o segundo semestre de 2014.
Um dos artigos exige que o candidato à presidência resida no país há pelo menos dez anos, de forma ininterrupta, o que elimina qualquer representante da oposição fora do país.
"Tem que residir na República Árabe da Síria durante um período ininterrupto de dez anos e não pode ter outra nacionalidade além da síria".
Na teoria, a nova legislação permite a apresentação de vários candidatos, como previsto na Constituição aprovada em 2012, que instaurou o "pluralismo político" e aboliu a supremacia do partido Baath, no poder há meio século.
Os eleitores devem ser convocados às urnas no prazo de 60 a 90 dias após o final do mandato do presidente Bashar al-Assad, no próximo dia 17 de julho.
"O candidato deve ser maior de 40 anos, ter nacionalidade síria, não possuir ficha criminal e não ser casado com uma estrangeira", determina um dos artigos.
O mediador internacional para a Síria, Lakhdar Brahimi, advertiu nesta quinta que as eleições presidenciais no país podem levar ao descarrilamento das negociações de paz.
"Se houver uma eleição, suponho que a oposição, toda a oposição, não estará provavelmente interessada em discutir com o governo", declarou Brahimi a jornalistas depois de ter apresentado um relatório ao Conselho de Segurança da ONU em Nova York.
Perante o Conselho, Brahimi advertiu que a reeleição de Bashar al-Assad nestas eleições complicaria a busca de uma solução pacífica à guerra civil que já se estende por três anos, segundo diplomatas.
O mediador disse "duvidar que a reeleição do presidente Assad para um novo mandato de sete anos coloque fim aos sofrimentos do povo sírio".
"O direito de disputar (as próximas eleições) deve estar de acordo com a Constituição, que dá este direito a todos os sírios", completou.
O conflito sírio começou em 15 de março de 2011 com protestos pacíficos que enfrentaram uma violenta repressão. Em pouco tempo virou uma insurreição contra Assad.
Segundo o opositor Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), 140.000 pessoas morreram nos três anos de confrontos.
.