O corpo de um homem, aparentemente morto por um ataque cardíaco e sem apresentar sinais de violência, foi encontrado perto do Parlamento da Crimeia em Simferopol, durante os confrontos entre manifestantes pró-russos e partidários das novas autoridades ucranianas.
"O corpo de um homem de certa idade foi encontrado durante a manifestação perto do Parlamento, sem sinas de traumatismo.
Confrontos foram registrados nesta quarta-feira entre manifestantes pró-russos e partidários das novas autoridades em Simferopol, a capital da república autônoma da Crimeia, onde o presidente do Parlamento local descartou qualquer debate sobre uma eventual separação.
Mais de 5.000 pessoas se reuniram em frente ao Parlamento, Tatars de um lado, os mais numerosos, e pró-russos do outro, constatou um jornalista da AFP.
Os Tatars, membros de uma comunidade local de tradição muçulmana, carregavam bandeiras ucranianas e gritavam "Ucrânia, Ucrânia!", já os habitantes de língua russa exibiam bandeiras da Rússia e da Crimeia e gritavam "Rússia, Rússia!".
Algumas brigas e insultos animaram os dois lados, postados frente a frente, mas os confrontos foram contidos e os policiais que observavam a cena não estavam armados.
A manifestação se dispersou às 16h00 (11h00 no horário de Brasília), após os pedidos de deputados locais.
Os pró-russos reclamam a realização de um referendo sobre o status da Crimeia, no sul da Ucrânia, em meio às tensões separatistas que aumentaram com a destituição do presidente Viktor Yanukovytch.
Uma hipótese rejeitada pelo presidente do Parlamento da Crimeia, Volodymyr Konstantinov. "O Parlamento não vai discutir a saída da Crimeia da Ucrânia. Trata-se de uma provocação para desacreditar o Parlamento autônomo da Crimeia", segundo seu porta-voz.
Os Tatars, presentes desde o século XIII na Crimeia, foram deportados para a Sibéria e Ásia central por Stálin, e retornaram após a queda da URSS em 1991. Eles constituem 12% dos 2 milhões de habitantes da península.
A Crimeia, inicialmente pertencente durante a URSS à Rússia, foi adicionada à Ucrânia em 1954. Ela continua a abrigar a frota russa no Mar Negro.
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