As discussões em separado nesta sexta-feira em Genebra entre o mediador das Nações Unidas Lakhar Brahimi e os representantes do governo e da oposição síria terminaram sem progressos.
Mais do que nunca, as duas partes em conflito se mostraram diametralmente opostas.
"Infelizmente, essa discussão não teve progresso algum", disse o vice-chanceler sírio, Faisal Mokdad.
O porta-voz da delegação opositora, Louai Safi, chegou à mesma conclusão sobre o encontro de sua delegação com Brahimi. "Até o momento, as negociações estão em um impasse, como todos sabem", afirmou Safi a jornalistas.
Nenhum dos dois quis dar indicações sobre as futuras negociações, enquanto que o mediador da ONU não deve dar declarações à imprensa.
O vice-ministro Faisal Moqdad reiterou que para o governo a luta contra o "terrorismo" continua a ser uma prioridade.
"Aqueles que não querem lutar contra o terrorismo não fazem parte do povo sírio", disse. "Aqueles que pegam em armas contra o seu povo e seu governo são terroristas", acrescentou.
"Não temos problema algum em discutir o terrorismo iniciado pelo regime (...), mas sem uma transição governamental nada vai acontecer", declarou o representante da oposição, ressaltando que sua delegação apresentou na quinta-feira um documento, que a delegação do governo rejeita.
"Como podemos falar de um fim da violência, enquanto o regime continua a praticar atos de violência contra civis?", disse, afirmando: "Precisaríamos de uma outra equipe, de patriotas que acreditam na Síria e não na família que tem o poder".
Ele lembrou que o documento estabelece "que todos os combatentes estrangeiros deixem a Síria", incluindo os combatentes do Hezbollah libanês, que lutam ao lado do regime, e jihadistas estrangeiros, ex-aliados dos rebeldes, que agora os combatem.
"Nós estamos em um impasse, não sei se vamos conseguir sair ou não", declarou nesta quinta-feira um diplomata ocidental sob condição de anonimato.
"Se não conseguirem chegar a um acordo sobre uma agenda, eu não sei se Lakhdar Brahimi manterá uma terceira rodada de negociações", indicou.
O mediador das Nações Unidas deveria conduzir no sábado rápidas negociações, antes de uma pausa.
Na quinta-feira à noite, um líder da oposição, Bander Jamous, secretário-geral da Coalizão, disse que estava insatisfeito após uma reunião com diplomatas russos, a quem acusou de endossar as prioridades do regime, a luta contra a violência e o terrorismo, observando que, para o presidente sírio, Bashar al-Assad, a oposição "é a principal terrorista".
Entre os membros do regime, comenta-se um eventual compromisso, no qual a oposição "pressionada" concordaria em discutir o terrorismo e a delegação do governo abordaria uma transição governamental, principal questão definida no plano concluído em 2012, em Genebra, entre as grandes potências.
- Incertezas sobre a missão de Brahimi -
Este impasse nas discussões faz com que os diplomatas fiquem cada vez mais pessimistas. "Esperávamos que as discussões fossem difíceis. Mas nós não esperávamos que as partes fossem incapazes de encontrar um compromisso sobre uma pauta de discussões, e, francamente, isso não é bom", comentou um diplomata que, como outros colegas ocidentais, aposta no momento em que o mediador desistirá.
"Eu não acredito que ele vá permanecer indefinidamente (...) Eu acho que ele também está preocupado com sua própria credibilidade (...) Não quer que a posição do governo sírio comprometa essa credibilidade, mas eu acho que ele ainda não chegou a este ponto", acrescentou o diplomata.
Como lembrou um de seus colegas, Brahimi trabalha em nome do secretário-geral da ONU e deve primeiramente consultá-lo em Nova York, antes de determinar o prosseguimento que dará a este processo iniciado em 22 de janeiro, com o nome de Genebra II.
Na Síria, rebeldes detonaram nesta sexta-feira minas terrestres sob o Carlton Hotel, na Cidade Velha de Aleppo, no norte da Síria, matando pelo menos cinco soldados, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).
No sul do país, 32 pessoas foram mortas na explosão de um carro-bomba do lado de fora de uma mesquita em Al-Yadouda, uma cidade controlada pelos rebeldes na província de Deraa, segundo o OSDH.
Uma criança e dez combatentes rebeldes estão entre as vítimas.
Mais de 2.700 habitantes da região montanhosa de Qalamoun fugiram dos ataques aéreos e dos combates, indo em direção à aldeia libanesa de Aarsal, indicou o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur).
Há três dias, o Exército sírio ataca posições dos rebeldes em torno de Yabroud, maior cidade de Qalamoun.
