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Estado de Minas

Aborto seletivo de meninas também ocorrre nos Balcãs e no Cáucaso


postado em 11/12/2013 11:07

O aborto seletivo de meninas, um fenômeno normalmente associado à Ásia, também afeta certos países da Europa Oriental e do Cáucaso, onde o desequilíbrio de nascimentos supera às vezes o da Índia, indica um relatório do Instituto Francês de Estudos Demográficos (INED).

Segundo este estudo, a proporção de sexo masculino ('sex ratio') nos nascimentos se situa entre 110 e 117 meninos para cada 100 meninas no sul do Cáucaso (Azerbaijão, Armênia, Geórgia) e no oeste dos Balcãs, em particular na Albânia.

Considera-se que este número é desproporcional se superar 105 meninos para cada 100 meninas.

"Em três países caucasianos, a proporção aumentou nos anos 1990 e alcança níveis superiores às estimativas atuais para toda a Índia", país em que a prática do aborto seletivo continua gerando um sério problema demográfico, afirma o INED.

Segundo o relatório, o desequilíbrio mais grave é registrado no Azerbaijão, com uma proporção de 117, o que converte este país no segundo do mundo, depois da China, em diferença de sexos no nascimento.

No oeste dos Balcãs, incluindo Albânia, Kosovo e Montenegro, os níveis de desequilíbrio observados são menores, cerca de 110-111 nascimentos masculinos para cada 100 femininos. Mas, segundo o INED, "sua regularidade no decorrer dos anos atesta a realidade do desequilíbrio".

O Instituto afirma que este fenômeno foi descrito pela primeira vez há dez anos, sem nenhuma reação dos países envolvidos. "A persistência dos valores tradicionais patriarcais continua sendo o eixo da preferência pelos nascimentos masculinos nesta região", comenta.

Estes países da Europa Oriental passaram por mudanças sociais e políticas importantes desde 1991, com o desmantelamento do sistema socialista, os conflitos e a transformação rápida das condições de vida.

Segundo o INED, as estruturas patriarcais "sobreviveram às décadas comunistas e se viram reforçadas pela queda do regime. A crise que se seguiu acarretou uma retirada rápida do Estado" e "a estrutura familiar apareceu então como a instituição social mais sólida".

"A baixa recente da fecundidade e o surgimento de uma oferta moderna de serviços de saúde (...) reforçaram o desejo de seleção pré-natal em função do sexo".

No entanto, o INED não explica o fato de que não há desequilíbrio entre sexos no nascimento em países vizinhos dos apontados que viveram uma história similar e têm valores patriarcais comparáveis.


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