Jornal Estado de Minas

ONU anuncia conferência de paz sobre a Síria para 22 de janeiro

AFP

Negociadores do governo e da oposição na Síria se reunirão em Genebra, pela primeira vez desde o início da guerra civil há 32 meses, em 22 de janeiro, anunciou a ONU nesta segunda-feira.

"A lista dos convidados ainda não foi estabelecida", declarou à imprensa o enviado especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Lakhdar Brahimi, após uma reunião preparatória hoje, na cidade suíça, com funcionários russos e americanos de alto escalão.

Em Washington, o secretário de Estado americano, John Kerry, destacou o anúncio da realização da conferência de paz, "a melhor oportunidade", segundo ele, para formar um governo de transição que ponha fim à guerra.

Em relação aos participantes sírios, Brahimi considerou que devem ser "confiáveis e tão representativos quanto for possível". Ele afirmou ainda que o Irã, um importante aliado do regime de Bashar al Assad, e a Arábia Saudita, que fornece apoio militar e financeiro à oposição, "estarão entre os possíveis participantes".

Uma nova reunião trilateral preparatória com russos e americanos será realizada em 20 de dezembro, em Genebra, "talvez a última antes da conferência".

"Estamos em contato com a oposição e o governo ao mesmo tempo. Pedimos os nomes de seus delegados o mais rápido possível, de preferência antes do fim do ano, já que é importante conversar com eles e ouvi-los", declarou Brahimi.

"Essa conferência é, realmente, para que os sírios venham a Genebra, conversem e, esperamos, comecem um processo de paz crível, efetivo, que possa funcionar para seu país", acrescentou.

"A conferência começará sem condições prévias, todos os assuntos serão postos na mesa. As negociações começarão em 22 de janeiro, mas vão durar quanto tempo? Vamos dizer isso a vocês quando começarem", afirmou o enviado especial.

Para os organizadores, o desafio é imenso: primeiro, para convencer as pessoas representativas do regime e da oposição a viajarem para Genebra e, depois, para evitar que ponham condições prévias a sua participação. O futuro do presidente Assad é um dos pontos polêmicos. A oposição exige sua saída para que uma transição seja possível, enquanto o governo a descarta totalmente.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que a conferência será "uma missão de esperança", com o objetivo de impulsionar a declaração adotada pelas principais potências em junho de 2012 exigindo um governo de transição.

"O secretário-geral espera que os representantes sírios participem da conferência em Genebra, compreendendo que este é o objetivo, e com a intenção real de acabar com uma guerra que já deixou mais de 100 mil mortos, obrigou mais de 9 milhões a abandonar suas casas, que deixou incontáveis desaparecidos e detidos, fazendo a região tremer", declarou o porta-voz da ONU, Martin Nesirky.

"O conflito na Síria tem durado tempo demais. Seria imperdoável não aproveitar essa oportunidade para acabar com o sofrimento e a destruição que causou", disse Ban, por meio de seu porta-voz.

O chefe da ONU elogiou os esforços de Rússia, Estados Unidos e do emissário das Nações Unidas e da Liga Árabe, Lahkdar Brahimi, em favor da conferência, que foi adiada várias vezes.

As divisões entre a oposição síria, as dúvidas sobre o compromisso do governo com a conferência e as discussões acerca de se países como o Irã e a Arábia Saudita devem participar frustraram os esforços para reunir as partes em conflito.

A conferência será o resultado de uma reunião realizada em Genebra em junho de 2012, quando Estados Unidos, Rússia, China, Grã-Bretanha e França - os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - e outros Estados concordaram em lançar um governo de transição na Síria.

"Iremos a Genebra com uma missão de esperança. A conferência de Genebra é o veículo para uma transição pacífica que satisfaça as legítimas aspirações de todo o povo sírio de liberdade e dignidade, e que garanta a segurança e a proteção de todas as comunidades na Síria", ressaltou Ban.

"Seu objetivo é a completa implementação do comunicado de Genebra de 30 de junho de 2012, incluindo o estabelecimento, baseado no consentimento mútuo, de um governo de transição com plenos poderes executivos, incluindo sobre as entidades militares e de segurança", acrescentou.

O Conselho de Segurança votou uma resolução de apoio a essa declaração.

Ban indicou ainda que "espera que todos os sócios internacionais e regionais demonstrem significativo apoio a negociações construtivas".

"Todos devem mostrar visão e liderança. Todos podem começar a trabalhar para ajudar a conferência de Genebra (...) o fim da violência, o acesso da ajuda humanitária, a libertação dos detidos e o regresso dos refugiados e deslocados", afirmou Ban.