O Kosovo foi às urnas neste domingo para renovar as assembleias municipais, um teste para a implementação do acordo de normalização das relações com Belgrado, capital da Sérvia, evento acompanhado de perto pela União Europeia.
As primeiras eleições municipais no país desde a sua independência, em 2008, não despertaram o interesse esperado pelas autoridades, já que quatro horas antes do fechamento das zonas eleitorais apenas 13% dos eleitores haviam comparecido para votar.
O dia também foi marcado por alguns incidentes, como o ocorrido no norte do país, em Kosovska Mitrovica, onde os sérvios são a maioria da população. Vários extremistas encapuzados entraram no local de votação no fim da tarde, agredindo eleitores e destruindo urnas antes de fugirem.
Um candidato à prefeitura da região, Krstimir Pantic, disse à imprensa que sua esposa ficou gravemente ferida no incidente.
Outro candidato, Oliver Ivanovic, assegurou que incidentes similares ocorreram em outros colégios eleitorais. "É evidente que as eleições em Mitrovica serão invalidadas", avaliou.
Depois destes acontecimentos, o porta-voz da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), Nikola Gaon, disse que esta instituição - responsável pelo bom andamento das eleições - retirou seu pessoal de Mitrovica devido à falta de segurança
Durante todo o dia, grupos nacionalistas sérvios contrários às eleições vaiavam e insultavam os sérvios que iam votar.
O aspecto mais importante desta eleição é a taxa de participação dos sérvios do Kosovo, especialmente aqueles que vivem no norte do território. Até agora, eles rejeitaram a autoridade do Kosovo, porque, como Belgrado, não reconhecem a independência proclamada em 2008 pela ex-província sérvia.
Durante a campanha eleitoral, Belgrado pediu que os cerca de 40 mil sérvios que vivem na região norte do Kosovo, na fronteira com a Sérvia, participassem da votação. Os sérvios são maioria na região e Kosovo não exerce praticamente nenhum controle na área.
De Belgrado, o primeiro-ministro sérvio, Ivica Dacic, denunciou atos de "extremistas sérvios de direita que empurram os sérvios para uma catástrofe", assim como "ameaças e pedidos de boicote que põem em perigo os sérvios em Kosovo."
A Sérvia, que pretende iniciar em breve as negociações de adesão à UE, incentivou, pela primeira vez, a participação da comunidade sérvia, já que o bom desenrolar da eleição é uma condição para a aproximação com Bruxelas.
Após as eleições, os sérvios do Kosovo formarão a "Associação de municípios sérvios", que vai materializar a autonomia prevista para a comunidade sérvia em Belgrado e Pristina em um acordo assinado em abril, em Bruxelas.
A associação também substituirá as instituições do Estado sérvio no norte do Kosovo, consideradas ilegais tanto por Pristina como pela comunidade internacional.
Cerca de 1,7 milhão de eleitores foram convocados a escolher entre 102 partidos e associações que visam controlar 36 municípios no Kosovo.
Os primeiros resultados parciais serão divulgados na próxima quarta-feira.