Jornal Estado de Minas

Diretor de centro cultural russo em Washington suspeito de espionagem

AFP

Um diplomata russo, diretor de um centro cultural em Washington, está sob suspeita do FBI de tentar recrutar eventuais espiões entre jovens americanos enviados à Rússia no âmbito de um programa de intercâmbio, revelou nesta quinta-feira o Washington Post.

Yuri Zaitsev, diretor do Centro Russo para a Ciência e a Cultura em Washington, é o encarregado de colocar em prática nos Estados Unidos o programa de intercâmbio da Cooperação russa Rossotrudnichestvo. Este programa permite a jovens líderes viajar gratuitamente a Moscou e se reunir com autoridades do governo.

Segundo o Washington Post, Zaitsev, que goza de imunidade diplomática, teria criado registros sobre os americanos enviados à Rússia - estudantes, executivos, funcionários de organizações não governamentais e assistentes do Congresso - com o objetivo de tentar recrutá-los como agentes da inteligência durante sua estadia no país.

O FBI, responsável pela contra-espionagem, abriu uma investigação e interrogava os americanos que participaram deste programa de intercâmbio, informou o jornal.

Em um comunicado, o ministério russo das Relações Exteriores denunciou estas invenções "que não têm nada a ver com a realidade" e que constituem uma ação "hostil destinada a agravar a situação na esfera do desenvolvimento da cooperação humanitária internacional".

"É necessário que as autoridades americanas se dissociem claramente e publicamente destas tentativas maliciosas de ofuscar o trabalho do Centro Russo para a Ciência e a Cultura em Washington", declarou o ministério russo.

Cento e vinte americanos participaram do programa de intercâmbio em 12 anos, segundo o Washington Post. O ministério russo lembrou, por sua vez, que mais de 12 pessoas oriundas de mais de 50 países integraram o programa nos últimos três anos.