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Estado de Minas

Mais naufrágios matam dezenas no Mar Mediterrâneo


postado em 12/10/2013 00:12 / atualizado em 12/10/2013 08:09

Gabriela Freire Valente


Brasília – Oito dias depois de um trágico naufrágio de um barco com mais de 500 imigrantes perto da ilha italiana de Lampedusa, dois outros barcos naufragaram no Mar Mediterrâneo, ambos cheios de imigrantes. Um acidente ocorreu em uma zona no centro de um triângulo entre Malta, Líbia e Lampedusa, cerca de 100 quilômetros ao Sul da pequena ilha na Sicília. O outro, na costa do Egito, deixou pelo menos 12 mortos. Uma fonte de segurança egípcia informou que o barco afundou perto de Alexandria e que os passageiros deixaram o país ilegalmente. Equipes de resgate salvaram 116 sobreviventes.

Ainda sob impacto da tragédia que deixou mais de 320 mortos na semana passada, as autoridades de Lampedusa lidam agora com mais um naufrágio e o problema do que fazer com as centenas de imigrantes que chegam diariamente ao local. Somente ontem, pelo menos 500 imigrantes em pelo menos três outros barcos chegaram ou foram resgatados em diferentes áreas da Sicília.

No acidente entre Malta e Lampedusa, estima-se que 250 pessoas estavam a bordo do barco. Na noite de ontem, autoridades do arquipélago de Malta confirmaram a morte de 27 imigrantes, mas a agência italiana Ansa contabilizava 33 vítimas, incluindo 10 crianças. O incidente ocorreu em águas internacionais do Mar Mediterrâneo e na área de resgate de Malta. Helicópteros e navios foram mobilizados para o salvamento, em uma operação coordenada pelas autoridades italianas e maltesas. Até o fechamento desta edição, a origem da embarcação e a nacionalidade dos tripulantes não tinham sido determinados.

As Forças Armadas de Malta informaram que 150 pessoas foram resgatadas com vida por um de seus barcos de patrulha e 56 por um navio italiano. Feridos em estado grave foram levados de helicóptero a Lampedusa. Na noite de ontem, hospitais de Malta estavam em alerta para a chegada de sobreviventes. Em pronunciamento, o primeiro-ministro maltês, Joseph Muscat, afirmou que as autoridades italianas e de seu país agiram rapidamente para evitar uma tragédia ainda maior. A embarcação começou a ser monitorada, no fim da tarde de ontem, pelas Forças Armadas de Malta, após caças notarem sua "aparente instabilidade". "Minutos depois, a aeronave reportou que o barco tinha virado e um grande número de pessoas estavam na água", informou a Marinha maltesa.

O naufrágio ocorre um dia depois do encerramento das buscas pelos corpos de vítimas de outro acidente com um barco transportando 500 imigrantes africanos na costa de Lampedusa, no dia 3. O caso levou o premiê italiano, Enrico Letta, a cobrar o envolvimento da União Europeia (UE) na questão da chegada de refugiados africanos. Letta e Muscat teriam discutido a questão por telefone, ontem, e o premiê maltês indicou que pressionará a UE. Muscat argumentou que a comunidade internacional não pode permitir que o Mar Mediterrâneo se torne um cemitério e defendeu avaliação de propostas legais para organizar a imigração. "Quantas pessoas terão de morrer antes que uma ação seja tomada? Malta e Itália estão trabalhando juntas e nós nos sentimos abandonados nessa operação. Esse é um problema europeu. Essas pessoas, desesperadas, estão buscando um futuro na Europa, e a Europa não pode ficar cega", exortou.

A comissária europeia para Assuntos Interiores, Cecilia Malmström, emitiu nota afirmando que acompanhava “com tristeza e ansiedade” as operações de resgate. Ela alertou que todas as expressões de solidariedade se tornarão “palavras vazias”, se ações concretas não foram adotadas: “Gostaria de repetir o meu apelo aos Estados-Membros para se envolver mais na reinstalação de refugiados”. Nesse ano, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) contabilizou 32 mil pessoas que chegaram ao Sul da Itália e de Malta em busca de refúgio.


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