O primeiro-ministro líbio, Ali Zeidan, foi sequestrado durante oito horas nesta quinta-feira por uma brigada de antigos rebeldes, no sinal mais contundente da instabilidade na Líbia após a derrubada do ditador Muamar Kadhafi.
O sequestro aconteceu cinco dias depois da captura de um cidadão líbio, suspeito de ser um dos líderes da rede terrorista Al-Qaeda, por homens de uma força de elite americana em plena capital Trípoli.
A captura de Abu Anas al-Libi provocou a revolta de milícias islâmicas que atuam na segurança do país e de partidos políticos, e deixou em situação difícil o governo líbio, que a chamou a ação de "sequestro" e indicou não ter sido informado
Pouco depois de sua libertação, Zeidan pediu calma. "Espero que este problema seja solucionado com razão e sabedoria", evitando "a escalada" da tensão, declarou ele a jornalistas depois de uma reunião com seu governo.
Ainda não há informações exatas sobre o que motivou o sequestro.
O ministro das Relações Exteriores líbio, Mohamed Abdelaziz, foi o primeiro a anunciar a libertação de Zeidan.
O porta-voz do governo, Mohamed Kaabar, confirmou a informaçã e insistiu que o primeiro-ministro foi "libertado e não colocado em liberdade pelos sequestradores", dando a entender que uma operação tinha sido executada para liberar o político.
Kaabar disse que o chefe de Governo está em bom estado de saúde.
Antes do anúncio da libertação, o vice-premier líbio, Al Seddik Abdelkarim, chamou o sequestro de "ato criminoso" e afirmou que o governo não cederia à chantagem de ninguém.
Durante a manhã, o governo líbio informou em um comunicado que o primeiro-ministro havia sido levado para um "local desconhecido, por razões desconhecidas, por um grupo" de ex-rebeldes.
A 'Célula de Operações dos Revolucionários da Líbia', uma brigada de luta contra o crime, vinculada de forma oficiosa ao ministério do Interior, anunciou que tinha em seu poder o chefe de Governo por "ordem da procuradoria".
Zeidan foi detido em aplicação aos artigos relativos aos "crimes e delitos prejudiciais para o Estado e para a segurança do Estado", destacou a brigada, vinculada aos ministérios da Defesa e Interior, mas não de forma oficial.
O secretário de Estado americano, John Kerry, chamou de ato de "brutalidade" o sequestro de Ali Zeidan, e afirmou que os Estados Unidos continuarão colaborando com Trípoli para garantir a segurança interna.
"Os líbios não colocaram sua vida em jogo durante a revolução de 2011 (que levou à queda do regime de Muamar Khadafi) para tolerar um retorno à brutalidade", declarou Kerry, em nota divulgada nesta quinta.
O primeiro-ministro britânico, David Cameron, conversou por telefone com Zeidan, assegurando que Londres ajudará Trípoli a "resolver os problemas de segurança com o objetivo de promover uma Líbia estável, livre, pacífica e próspera".
O presidente francês, François Hollande, manifestou sua "preocupação" depois desse sequestro e pediu que a comunidade internacional aja para ajudar as autoridades líbias a restabelecer a segurança.
O primeiro-ministro, de 63 anos, foi sequestrado no hotel Corinthia de Trípoli, onde mora, segundo uma fonte ligada ao político.
"Vários homens armados entraram no hotel na manhã desta quinta-feira. Mas não entendemos o que estava acontecendo", disse à AFP um funcionário do estabelecimento.
A Célula de Operações Revolucionárias da Líbia negou qualquer tipo de relação entre a "detenção" de Zeidan e a captura de Libi, segundo a imprensa local.
Zeidan, considerado liberal, é primeiro-ministro há um ano.
