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Ministros do partido de Silvio Berlusconi abandonam seus cargos

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Roma – Os ministros do partido Povo da Liberdade (PDL, centro-direita), do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, renunciaram a seus cargos, abrindo uma grave crise política na Itália e praticamente derrubando o governo de coalizão do chefe de governo Enrico Letta. O anúncio, que provavelmente vai conduzir à realização de novas eleições ou à formação de uma nova coalizão, veio um dia depois que Letta desafiou o partido de Berlusconi para apoiá-lo em um voto de confiança no Parlamento após semanas de tensão.
Na sexta-feira, Letta pediu aos partidos de centro-direita que esclareçam se mantêm seu apoio à coalizão governamental. “Ou colocamos o interesse do país e de seus cidadãos na frente, ou acabamos com esta experiência", advertiu, em um comunicado. Os deputados do PDL há dias ameaçam se demitir em bloco se o Senado votar a favor de retirar a cadeira de Berlusconi por sua condenação a um ano de prisão por fraude fiscal. Os ministros do PDL consideram inaceitável e inadmissível o ultimato feito por Letta.

O gabinete fracassou em chegar a um acordo sobre medidas fiscais vitais para trazer o déficit orçamentário dentro dos limites da União Europeia, deixando a frágil coalizão de rivais tradicionais da esquerda e da direita perto do colapso total. "A decisão tomada pelo primeiro-ministro Enrico Letta para congelar as atividades do governo é uma grave violação dos pactos sobre os quais este governo foi formado", disse Berlusconi em um comunicado.

IRRESPONSÁVEL Letta acusou Berlusconi de ter dito "uma grande mentira" aos italianos ao afirmar que a falha do gabinete em aprovar medidas para evitar o aumento de um imposto foi a razão de ter deixado o governo. "Para justificar a atitude irresponsável tomada hoje, com a meta de atender exclusivamente a seus assuntos pessoais, Berlusconi está tentando distorcer a realidade, usando o imposto como um álibi", disse Letta em comunicado. "No Parlamento, todos terão que assumir a responsabilidade por suas ações perante a nação", afirmou.

CONDENAÇÃO Na sexta-feira, uma comissão do Senado votará se Berlusconi mantém ou perde sua cadeira. Segundo o PDL, esse voto é fruto do complô de uma esquerda decidida a acabar com a carreira de Berlusconi, que foi condenado no início de agosto. O magnata das comunicações, de 77 anos, que governou a Itália durante 12 dos últimos 19 anos, escolheu cumprir sua condenação em sua casa de Roma em vez de realizar trabalhos de interesse geral.

A partir de agora, os jogos políticos estão abertos. Letta deve procurar verificar o nível de apoio que possui no Parlamento, mas pode optar por não convocar um voto pleno de confiança, afirmou uma fonte do governo. O presidente Giorgio Napolitano, que terá de decidir se convocará novas eleições ou tentará supervisionar a formação de um novo governo, disse ter sido informado por Letta das renúncias e afirmou que decidirá os próximos passos a tomar junto com o primeiro-ministro.

A renúncia dos ministros vai atrasar ainda mais importantes reformas na Itália, que está lutando com uma recessão de dois anos, uma dívida pública de 2 trilhões de euros e uma taxa de desemprego dos jovens de cerca de 40%. A turbulência política tem preocupado cada vez mais os investidores, embora esteja havendo menos pânico do que o visto durante crises anteriores devido à garantia de estabilidade do Banco Central Europeu.