Mais de cem mil pessoas protestaram na manhã deste sábado em Varsóvia contra o impopular e frágil governo de centro-direita do primeiro-ministro liberal Donald Tusk.
"Queremos a renúncia de Donald Tusk. É a única forma de mudar a política social na Polônia", declarou à AFP Marek Lewandowski, porta-voz do Solidariedade, um dos três sindicatos que organizaram a manifestação.
"Queremos aposentadorias aos 65 anos e não aos 67, como prevê a reforma elaborada por este governo. Queremos uma política social melhor e garantias para os assalariados", disse.
Centenas de ônibus com manifestantes chegaram a Varsóvia a partir das primeiras horas da manhã. Vinham, principalmente, da Silésia (sul), com mineiros e metalúrgicos, e de Gdansk (norte), reduto do Solidariedade, com trabalhadores de estaleiros.
Cerca de 100.000 pessoas saíram às ruas, de acordo com as autoridades, e por volta de 150.000, segundo Marek Lewandowski, fazendo desta manifestação uma "das maiores em anos".
"Estamos nos transformando em escravos em nosso próprio país!", afirmou Piotr Duda, líder do Solidariedade. "Estamos fartos do desprezo do poder em relação ao mundo operário!", advertiu.
Na frente da passeata, os manifestantes exibiam uma estátua em tamanho natural de Donald Tusk, pintada de dourado, ironizando as promessas não cumpridas pelo chefe de governo.
A manifestação deste sábado é a última de quatro dias de protestos em Varsóvia.
Os sindicatos exigem que a idade de aposentadoria seja reduzida e o aumento do salário mínimo. Também denunciam a precariedade do mercado de trabalho e uma lei recente que autoriza a ampliação do tempo de trabalho, além de acusarem o chefe de governo, no poder desde 2007, de ignorar suas reivindicações.
"Já não aceitaremos mais a política que leva à miséria e à pobreza. Vamos acabar com este governo que não trabalha pelos interesses dos empregados", lançou Jan Guz, líder do sindicato OPZZ, outra central sindical presente na manifestação.
A Polônia, com 38 milhões de habitantes, peso pesado econômico da Europa Central, viveu um período de crescimento econômico contínuo depois do fim do comunismo, há 20 anos. Mas no primeiro trimestre deste ano passou perto da recessão. No segundo trimestre, o PIB polonês subiu 0,4% em comparação com os três meses anteriores.
Diante da atual crise, alguns parlamentares abandonaram a coalizão governista.
Tusk não descarta convocar eleições legislativas antecipadas, mesmo com o processo eleitoral marcado apenas para 2015. Se a coalizão no poder se desfizer e o governo perder a maioria, "as eleições antecipadas representam, certamente, uma alternativa, porque um governo minoritário durante dois anos é a última coisa que a Polônia deve desejar", declarou o premier na terça-feira.