Milhares de partidários do presidente islamita Mohamed Mursi, deposto pelo Exército, participaram de novas manifestações nesta sexta-feira no Egito, e houve confrontos com a polícia em várias cidades.
Milhares de manifestantes também protestaram em outras cidades, principalmente em Alexandria (norte) e em Assiout (centro), exibindo imagens de Mursi, em pleno feriado do Eid al-Fitr, que até domingo marca o fim do Ramadã. Na cidade de Fayyoum, ao sul do Cairo, choques foram registrados entre manifestantes a favor de Mursi e policiais, que dispararam bombas de gás lacrimogêneo. Quatro pessoas ficaram feridas, de acordo com o Ministério da Saúde.
Na província de Charqiya (norte), confrontos eclodiram em várias cidades entre manifestantes e moradores, deixando cerca de dez feridos, segundo a agência oficial Mena.
A situação é tensa depois do fracasso dos esforços de mediação internacionais e do anúncio feito pelo governo interino estabelecido pelo Exército de sua determinação em impedir mobilizações dos pró-Mursi após o Ramadã. Temendo um banho de sangue, os Estados Unidos e a União Europeia continuam a pedir que ambos os lados resolvam suas divergências em paz.
Em um mês, mais de 250 pessoas morreram - principalmente pró-Mursi - em confrontos com a polícia ou com grupos contrários ao governo Mursi.
Nas praças Rabaa al-Adawiya e Nahda, no Cairo, entre os manifestantes havia mulheres e crianças. Durante as celebrações do Eid al-Fitr, esse número aumentou diante do ambiente festivo na praça Rabaa, com atrações e espetáculos para as crianças. Mursi, primeiro presidente egípcio civil eleito democraticamente, foi destituído após gigantescas manifestações exigindo a sua saída.
Seus opositores consideram que Mursi havia concentrado em torno de si todos os poderes e que procurava, com isso, beneficiar a Irmandade Muçulmana, movimento ao qual pertence. O presidente deposto também era muito criticado por uma gestão deficiente da economia.
A derrubada foi anunciada pelo ministro da Defesa e chefe do Exército, general Abdel Fattah al-Sissi, considerado o verdadeiro homem forte do país. Eleições estão previstas para o início de 2014.
Na quinta-feira, o primeiro-ministro interino Hazem el-Beblawi repetiu que a polícia ia agir para dispersar as duas manifestações no Cairo.
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"Nós nos aproximamos do momento que preferíamos evitar", alertou, dizendo-se preparado para "dar aos manifestantes uma chance de reconciliação e a oportunidade de buscar o caminho da razão".
Os observadores consideram que o governo --fortalecido pelo apoio de boa parte da população e da imprensa contra a Irmandade-- lançará sua operação após o fim do Eid al-Fitr, no domingo.
Na praça Rabaa, tanto os mais jovens quanto os mais velhos não estão dispostos a deixar o local. O governo assegura que os pró-Mursi guardam armas automáticas, mas essas acusações não podem ser verificadas. Os únicos sinais visíveis de uma possível resistência são as barricadas de tijolos e os sacos de areia bloqueando os principais acessos às duas praças. Alguns portam bastões e barras de ferro.
O governo, acompanhado pela imprensa, acusa os manifestantes de serem "terroristas" e de utilizarem crianças como "escudos humanos". A Irmandade Muçulmana, que denuncia um golpe de Estado, prometeu uma "luta pacífica até que o país volte ao caminho da democracia".
Para o International Crisis Group (ICG), "na ausência de um acordo político, o resultado mais provável é um impasse prolongado, vários conflitos e um processo de transição desconectado da realidade. Ninguém deve subestimar o risco de que alguns islamitas, convencidos de que não terão lugar no processo democrático, recorram à violência".
Na península egípcia do Sinai, uma autoridade de segurança do Egito e testemunhas indicaram um ataque aéreo de origem ainda indeterminada que matou combatentes que pareciam preparar um disparo de foguete contra Israel. O Exército egípcio negou que possa ter se tratado de um ataque israelense.