Jornal Estado de Minas

Manifestantes invadem Câmara Municipal do Rio

AFP

Um protesto exigindo a saída do governador Sérgio Cabral terminou nesta quarta-feira com a invasão da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, onde a polícia interveio para retirar os manifestantes.

Convocado por intermédio das redes sociais pelo grupo anarquista Black Bloc, a manifestação reuniu cerca de 700 pessoas diante do Ministério Público estadual, para exigir a abertura de uma investigação contra Cabral por corrupção.

Do prédio do Ministério Público, os manifestantes seguiram para a Câmara Municipal, que foi invadida por cerca de 50 pessoas por uma porta lateral, constatou a AFP.

A polícia, que mobilizou cerca de 400 homens para acompanhar o protesto, negociou a saída dos manifestantes da Câmara, mas acabou empregando a força para 'limpar' o perímetro em torno do prédio.

Os policiais utilizaram bombas de gás lacrimogêneo e golpes de cassetete contra os manifestantes, que responderam atirando pedras e outros objetos. Ao menos uma pessoa foi detida durante o confronto.

"Cabral está em uma bola de neve que terminará em impeachment ou renúncia", disse à AFP Jair, 30 anos, um dos organizadores do protesto.

Além da saída de Cabral , os manifestantes exigem a desmilitarização da PM, um modelo de polícia herdado da ditadura (1964-1985).

"Esta luta é infinita", disse Verano, 20 anos, que cobria o rosto com uma máscara de Guy Fawkes, popularizada pelos ativistas do Anonymous.

"A violência fez a classe política mudar sua forma de reagir" às reivindicações dos manifestantes, considerou outro manifestante, identificado por Pedro.

A presidente Dilma Rousseff "assumiu ter participado da luta armada. Eles (a ditadura) diziam que eram bandidos, terroristas, mas a história os transformou em heróis. Quem sabe se os vândalos de hoje serão os heróis de amanhã"?