Os presidentes de Venezuela e Colômbia, Nicolás Maduro e Juan Manuel Santos, se reuniram nesta segunda-feira na Amazônia para promover as relações bilaterais e dar por superado o mal-estar provocado pela visita do líder opositor venezuelano Henrique Capriles a Bogotá.
O encontro, de mais de duas horas, ocorreu na sede da Brigada Fluvial de Puerto Ayacucho , às margens do rio Orinoco, em plena Amazônia e na fronteira comum.
Os dois presidentes acertaram retomar uma ampla agenda bilateral, e evitaram falar durante a coletiva de imprensa sobre a visita de Capriles a Bogotá.
"Conversamos sobre os desafios comuns, sobre o relacionamento com base no respeito, com base na cooperação crescente, na coexistência pacífica, solidária, de dois modelos, de dois sistemas distintos (...). Separados não chegaremos a nenhum lugar", destacou Maduro.
Santos admitiu que ainda há aspectos sobre os quais "não estamos de acordo, que temos visões diferentes", mas decidimos "trabalhar juntos, pelo bem do povo colombiano e venezuelano". "É um relançamento de nossas relações de uma forma muito positiva".
Os dois líderes acertaram que seus chanceleres se reunirão em Caracas no dia 2 de agosto para reconstruir uma agenda de temas envolvendo comércio, energia e segurança.
Antes da reunião, Maduro disse que "hoje viemos para colocar sobre a mesa a verdade da Venezuela e da Colômbia, e mais uma vez falar francamente com o presidente Santos (...) de que o único caminho que temos é a paz e a prosperidade".
Santos, recebido com honras militares em Puerto Ayacucho, havia defendido pouco antes, na colombiana Puerto Carreño, um diálogo "frente à frente" para estabelecer "as regras do jogo" e se trabalhar "unidos".
O encontro desta segunda-feira superou o mal-estar provocado pela visita de Capriles a Santos no dia 29 de maio passado, no início da viagem internacional do líder opositor, que questiona a vitória de Maduro nas eleições de 14 de abril e exige sua anulação.
A reunião em Bogotá provocou uma furiosa reação do governo em Caracas, que acusou Santos de "violar as regras do jogo" e "apunhalar a Venezuela pelas costas".
Maduro chegou a dizer que reavaliaria seu papel como observador do processo de paz entre o governo Santos e a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em Cuba; mas depois reconsiderou.
O governo venezuelano acusa Capriles e outros líderes da oposição de "conspirar" contra Caracas, com a ajuda de políticos ligados ao ex-presidente colombiano Àlvaro Uribe".
Colômbia e Venezuela compartilham uma fronteira de 2.219 km, onde operam narcotraficantes, contrabandistas e outros grupos armados.
A reunião ocorre em meio ao incremento da violência na fronteira devido à presença destes grupos armados, especialmente colombianos.