Jornal Estado de Minas

Exército egípcio derruba Mursi e suspende Constituição

Felipe Castanheira
Manifestantes comemoraram a queda do presidente Mohamed Morsi na Praça Tahir, no Cairo - Foto: REUTERS/Asmaa Waguih
O General Abdel Fatah al Sisi, chefe do exército do Egito, anunciou pela televisão a saída do Presidente do Egito, Mohamed Morsi, durante um pronunciamento onde também foi informada a suspensão da constituição do país. Fatah atribuiu a queda do presidente ao fato de "ele não ter cumprido a vontade da população".
O general Abdel Fattah al-Sisi anunciou a retirada de Morsi - Foto: O anuncio foi recebido com comemoração nas praças onde estão as maiores manifestações do país. Na praça Tahir, no Cairo, houve confrontos isolados dentro da multidão que protestava contra o governo. Minutos depois do discurso, a presidência egípcia qualificou a ação como golpe de Estado. Um representante de Morsi pediu à população que resista pacificamente à tentativa de golpe e informou que Morsi foi levado a um local não revelado.

As Forças Armadas também anunciaram que a Corte Constitucional vai assumir a presidência do país durante uma série de reformas na constituição até a convocação de uma nova eleição. Mais cedo o exército decretou que Morsi e outros líderes islamitas estavam proibidos de deixarem o país.

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Fatah revelou a criação de um governo de coalizão reunindo "todas as forças nacionais" e "dotado de plenos poderes", que será encarregado de "gerir o período atual" de transição.

Al-Sisi, informou que os militares consideraram insatisfatória a resposta do governo ao ultimato dado pelas Forças Armadas na segunda-feira e colocarão em marcha um plano próprio. Ele afirmou que haverá diálogo com todas as facções.

Em 2012, Mohamed Morsi foi o primeiro presidente eleito depois da renúncia de Hosni Mubarak, que deixou o cargo após fortes manifestações em 2011.

Antes de ser deposto Morsi questionou a postura dos militares em apresentar um ultimato ao governo, lembrando ter sido eleito democraticamente em 2012. A movimentação do exército já havia sido questionada nesta quarta-feira por políticos ligados a Morsi. O conselheiro Esam al-Hadad, havia denunciado "o golpe de Estado militar" que, segundo ele, ocorreu, após a expiração de um ultimato do exército ao presidente.

Fatah revelou a criação de um governo de coalizão reunindo "todas as forças nacionais" e "dotado de plenos poderes", que será encarregado de "gerir o período atual" de transição.

Os protestos contra Morsi ganharam força na última semana e chegaram a ter 17 milhões de manifestantes nas ruas das principais cidades do país. Pelo menos 16 pessoas morreram em protestos entre apoiadores e aqueles que eram contrários ao presidente.

Com agências de notícias