Jornal Estado de Minas

PIB do Brasil cresce 0,6% no primeiro trimestre e decepciona

AFP

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil registrou um avanço de 0,6% no primeiro trimestre de 2013 na comparação com o período anterior, abaixo do esperado, pelo mercado e pelo governo, que previam uma aceleração mais rápida do crescimento no país.

O avanço do PIB no primeiro trimestre sobre o mesmo período de 2012 foi de 1,9% e em doze meses a economia brasileira acumula uma alta de 1,2%, informou nesta quarta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"É um resultado decepcionante, moderado", estimou à AFP o economista chefe do Austin Rating, Alex Agostini.

O Banco Central havia previsto em um índice paralelo um crescimento de 1%, acima dos 0,6%.

A agricultura impulsionou o PIB do primeiro trimestre com avanço de 17% sobre o mesmo período de 2012. Os serviços também registraram um resultado positivo de 1,9%.

Mas a indústria teve contração de 1,4%, sem obter a recuperação esperada, informou o IBGE.

Uma boa notícia que o mercado esperava para confirmar que a economia está em expansão foi o avanço do investimento, medida pelo indicador de formação bruta de capital fixo, que registrou crescimento de 3% em relação ao mesmo período do ano anterior, depois de quatro contrações consecutivas em 2012. Mas este avanço foi menor que o esperado, de acordo com Agostini.

"O resultado do primeiro trimestre foi bem pior que o esperado e certamente revisaremos em baixa nossa previsão de crescimento do PIB em 2013, que estava em 3%", informou Robert Wod, analista para o Brasil do Economic Intelligence Unit, para quem o único dado positivo foi a recuperação do investimento.

Para Wood, na área externa o Brasil já sofre com a redução do crescimento chinês, seu primeiro sócio comercial, embora deverá se beneficiar da melhora da economia americana, país consumidor de muitos manufaturados brasileiros.

Na área interna, Agostini criticou a estratégia adotada pelo governo para impulsionar a economia, "muito focada no consumo, no caminho de fomentar o crédito e as isenções fiscais, e o que tem que fazer é impulsionar o investimento".

O consumo interno brasileiro continuou com seu avanço, de 2,1%, embora, se for comparado o primeiro trimestre do ano com o último de 2012, esse avanço foi de apenas 0,1%. A inflação, que em março superou o teto da meta de 6,5% em doze meses ao alcançar 6,59%, é hoje um dos indicadores que preocupam.

O governo brasileiro apostou todas as suas fichas para alcançar uma expansão do PIB de mais de 3% neste ano, após um fraco avanço de 0,9% em 2012 - contra 2,7% em 2011 e 7,5% em 2010. A ministra de Planejamento, Miriam Belchior, insistiu na terça-feira que o Brasil pode alcançar um crescimento de 3,5% em 2013.

Trimestre sobre trimestre, o PIB brasileiro avançou 0,1% no primeiro trimestre de 2012, 0,3% nos dois seguintes e 0,6% no último do ano, mostrando uma aceleração mais lenta que a desejada pelo governo.

Sétima economia mundial, o Brasil registrou um crescimento menor que o de seus pares, as grandes economias emergentes dos BRICS, embora o resultado deste primeiro trimestre tenha sido magro para seus sócios também.

Em 2012, contra um crescimento de 0,9% do Brasil, a Rússia cresceu 3,4%, a Índia 4%, a China 7,8% e a África do Sul 2,5%.

Para 2013, o FMI prevê um crescimento de 3% para o Brasil, 3,4% para a Rússia, 5,7% para a Índia, 8% para a China e 2,8% para a África do Sul.