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Estado de Minas

Onda de violência no subúrbio da Suécia


postado em 25/05/2013 06:00 / atualizado em 25/05/2013 09:37

Brasília – Após a quinta noite consecutiva de violência no subúrbio de Estocolmo, a polícia sueca decidiu reforçar a segurança também nas cidades de Malmö, ao sul, e Gotemburgo, a oeste. Desde domingo, atos de vandalismo praticados por jovens foram registrados na área da capital, e o serviço público de segurança teme que os incidentes se repitam no fim de semana. Na madrugada de ontem, escolas e postos policiais foram depredados, além de 15 carros incendiados. Chegou-se a estimar que a onda de violência é a pior dos últimos anos no país, mas autoridades locais minimizaram a situação. "Tenho visto na mídia internacional que se trata de um motim de jovens contra a sociedade, mas isso não é verdade. Trata-se de um caso de pequenas proporções", declarou Erik Ullenhag, ministro da Integração.

Dimensões à parte, os distúrbios em Estocolmo provocaram discussões sobre a integração de imigrantes e expuseram a desigualdade no país, considerado um modelo de bem-estar social. Os atos de vandalismo registrados nos bairros de Tensta, Husby e Rinkeby, no Noroeste da capital, começaram com a morte de um imigrante de 69 na região, habitada majoritariamente por estrangeiros. O homem – identificado pelo jornal Aftonbladet como Lenine Relvas-Martins, de origem portuguesa – foi alvejado pela polícia após ameaçar uma mulher dentro de seu apartamento, com uma faca. "Foi um caso acidental, o que é incomum por aqui, e serviu apenas como estopim dos protestos. As pessoas estão mais aborrecidas com outros tipos de opressão, como o alto índice de desemprego e os problemas nas escolas", explica Jerzy Sarnecki, criminologista da Universidade de Estocolmo.

Para o especialista, a Suécia tem um "política migratória generosa", mas enfrenta problemas para absorver os imigrantes na sociedade e, principalmente, no mercado de trabalho. O desemprego entre a parcela estrangeira da população sueca chega a 16%, segundo a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OECD). A média nacional é de 6%. A OCDE aponta que o país registrou o maior aumento na desigualdade social entre os países desenvolvidos, nos últimos 25 anos. Segundo Bo Malmberg, geógrafo da Universidade de Estocolmo, os estrangeiros da última década vieram, na maioria, de países árabes, como Iraque e Síria, e de nações africanas, como Etiópia e Somália. Com a dificuldade para conseguir trabalho, Malmberg acredita que a marginalização desses imigrantes foi salientada pelo corte de benefícios aos desempregados.

Em entrevista ao jornal The Local, o historiador David Lindén afirma que o sentimento de impotência entre os jovens imigrantes motivou a onda de violência no subúrbio de Estocolmo. Um morador de Husby afirmou à rádio Swedish que a hostilidade seria "a única forma de expor o racismo" que, segundo ele, existe na região. Ontem, 13 pessoas com idades entre 17 e 26 anos foram presas acusadas de participar de atos de vandalismo. Na noite de quarta-feira, os bombeiros foram chamados para atender cerca de 90 casos. Bases policiais, escolas e bibliotecas foram apedrejadas, e estima-se que entre 20 e 30 carros tenham sito incendiados. Para o criminologista Jerzy Sarnecki, a situação deve se acalmar na próxima semana, mas ele ressalta que isso não significa o fim dos problemas que a causaram.


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