Há um mês no poder, o presidente venezuelano Nicolás Maduro enfrenta duas crises que põem à prova se o sucessor de Hugo Chávez vai conseguir levar adiante o projeto da revolução bolivariana. A contestação dos resultados das eleições de 14 de abril, uma inflação crescente e uma escassez de bens básicos que o obriga a negociar com o setor privado para evitar o colapso econômico são os desafios para o ex-chanceler.
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Maduro completa um mês à frente de uma Venezuela em criseParalelo à crise política, Venezuela enfrenta escassez de produtos básicosCaça ao papel higiênico na VenezuelaNa semana passada, durante um pronunciamento no estado de Barinas, Maduro disse ter conhecimento da identidade dos 900 mil venezuelanos que não compareceram às eleições. Ele discorria sobre sua decepção com os chavistas que não foram votar e declarou: "Em vez de ser abatidos pela tristeza, abateremos a tristeza e a relutância que nos atinge: 900 mil compatriotas, já sabemos, com carteira de identidade e tudo”. A oposição suspeita de um possível uso de informação privilegiada pelo partido chavista.
Capriles reagiu durante evento no estado de Anzoátegui (Leste). "Todos sabemos que o voto é secreto e, além disso, quase 1 milhão de seguidores do presidente Chávez votaram no ‘flaco’” (como Capriles é conhecido). “Se esse cavalheiro diz que sabe quem não votou nele, então está dizendo que a eleição é fraudulenta, porque a lei diz que o voto é secreto", declarou. O opositor comentou ainda que as declarações de Maduro têm como objetivo amedrontar a população. "Nosso povo pode ficar tranquilo, porque fazem isso para ver quem, entre aqueles que trabalham em instituições do Estado ou estão em um programa social do governo, cai na armadilha para depois se lançarem contra eles."
LEGITIMIDADE
O cientista político John Magdaleno reconhece que este primeiro mês foi difícil para o presidente. “Por um lado, teve de lidar com o questionamento de sua legitimidade e, por outro lado, precisou enfrentar uma crise econômica que está causando desconforto e descontentamento", afirmou.
A tensão pós-eleitoral e um episódio de violência em que 12 pessoas morreram fizeram com que Maduro radicalizasse o discurso. Ele acusa a oposição e a extrema-direita dos Estados Unidos de estarem tramando um golpe. "O plano é eliminar o povo, para fazer com que Chávez desapareça e a revolução bolivariana acabe", declarou Maduro.
Para Magdaleno, Maduro "manterá a linha dura em relação à oposição, tentando fazer com que cometa erros como no passado", explicou, referindo-se ao golpe de Estado em 2002, que derrubou Chávez por um breve período e à greve do petróleo que alguns meses depois paralisou o país. Dessa forma, o presidente tenta manter a unidade dentro do chavismo, principalmente com a proximidade das próximas eleições, as municipais, que devem ser convocadas em breve.