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Estado de Minas

O grande momento da América Latina


postado em 11/05/2013 14:25

A América Latina goza de seu melhor momento internacional, com figuras de grande importância em vários campos e com o Brasil na liderança, preparando grandes eventos mundiais, apoiada por uma economia em crescimento e por estabilidade política em quase todos os seus países.

O Brasil, a maior economia da América Latina, acolherá em junho a Copa das Confederações de futebol e no mês seguinte receberá o papa argentino Francisco, primeiro latino-americano a dirigir a Igreja católica.

Em 2014, o Brasil será a sede do Mundial de Futebol, onde é muito aguardada a atuação do melhor jogador do mundo, o argentino Messi, e dois anos depois o Rio de Janeiro acolherá os Jogos Olímpicos.

Além disso, o brasileiro Roberto Azevêdo foi escolhido novo diretor da Organização Mundial de Comércio (OMC), sendo o primeiro latino-americano neste cargo, e a argentina Máxima Zorreguieta se transformou em rainha consorte da Holanda.

A eleição nesta semana de Azevêdo - que superou outro latino-americano, o mexicano Herminio Blanco - se inscreve na aspiração da América Latina de alcançar "uma ordem econômica mundial mais justa", explicou a presidente Dilma Rousseff.

"Todos esses são aspectos positivos que mostram que na América Latina há pessoas de alto nível que podem ser Papa ou diretores da OMC, que há países que têm a capacidade de organizar grandes eventos esportivos", disse à AFP o embaixador do Brasil em Washington, Rubens Barbosa.

Mas uma exceção a este bom momento é a Venezuela, onde a situação após a morte em março do presidente Hugo Chávez provoca temores de instabilidade política.

Longe da "década perdida"

O mundo se surpreendeu em março com a eleição do primeiro Papa latino-americano, que visitará o Brasil em junho para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ).

"Mais de 45% dos católicos são latino-americanos e os que não levam em conta os números são distraídos ou são tontos. O futuro da Igreja católica é decidido na América Latina", destacou o uruguaio Guzmán Carriquiry Lecour, secretário da Comissão Pontifícia para a América Latina.

Ficou para trás a década perdida dos anos 1980, quando a região enfrentou uma severa crise, ou o colapso argentino de 2001, já que o país exibe hoje números econômicos saudáveis, melhores que os apresentados por algumas nações desenvolvidas.

"A América Latina progrediu muito na última década. Muitos países cresceram, reduziram seus níveis de pobreza e desigualdade e são cada vez mais ativos e influentes no cenário global", declarou à AFP Michael Shifter, presidente do Diálogo Interamericano, um centro de estudos de Washington.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou recentemente que o PIB da América Latina e do Caribe passará de 3% em 2012 a 3,4% em 2013, apoiado por uma demanda externa mais forte, por condições de financiamento favoráveis e pelos efeitos das políticas econômicas mais flexíveis aplicadas em alguns países.

Para a zona do euro, por sua vez, o FMI prevê uma contração de 0,3% para este ano.

Chile, Peru, Colômbia e México criaram uma aliança de nações do Pacífico para avançar em direção a uma zona de livre comércio e fortalecer o intercâmbio com a Ásia, seu motor de crescimento nos últimos anos. A região também aumentou sua presença no G20 (de países industrializados e emergentes), enquanto o Brasil é membro do BRICS, grupo de potências emergentes ao lado de Rússia, Índia, China e África do Sul.

"Isto é um indício de que a América Latina está indo muito bem", disse à AFP David Fleischer, analista de política e relações internacionais da Universidade de Brasília.

Mas nem tudo está perfeito.

Dúvidas sobre a Venezuela

Nestes tempos favoráveis, os governos latino-americanos devem executar "as reformas necessárias em educação, infraestrutura e justiça, essenciais para aumentar a produtividade e a competitividade", afirmou Schifter.

É o que acontece com o Brasil, por exemplo. Sua economia cresceu 7,5% em 2010, caiu para 2,7% em 2011 e a apenas 0,9% no ano passado, em meio às preocupações por sua capacidade de ser competitivo, para além do bom preço das matérias-primas.

Os analistas destacam que a eleição de Azevêdo à frente da OMC é um bom sinal do peso do Brasil, mas isso não significa necessariamente que trará benefícios para o país ou para o resto da região.

Azevêdo terá na OMC a tarefa de destravar as negociações da rodada de Doha para a liberalização do comércio mundial, abertas em 2001 e estagnadas por divergências entre os países industrializados e em desenvolvimento.

Um grande desejo do Brasil, que começou a ganhar peso no cenário mundial durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-10), é o de se tornar membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, órgão que, segundo Brasília, deve ser reformado e ampliado com urgência.

Em contrapartida, na Venezuela ainda há dúvidas sobre se o novo presidente e sucessor de Hugo Chávez, Nicolás Maduro, que em abril venceu as eleições por estreita margem, será capaz de manter vivo o projeto socialista e dar sustentabilidade a sua indústria petroleira, que não é vital apenas para o país, mas também para Cuba e para outros aliados centro-americanos e caribenhos.

"Nossa grande dúvida ainda é a Venezuela", completou Fleischer.


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