Após uma campanha eleitoral marcada por atentados que deixaram cerca de 120 mortos, desde meados de abril, é sob a ameaça de mais ataques que os paquistaneses vão às urnas, este sábado, eleger os novos membros da Assembleia Nacional e das câmaras provinciais. O Movimento Talibã do Paquistão, ligado à rede terrorista Al-Qaeda, prometeu ações suicidas durante o escrutínio, considerado crucial para a frágil democracia no país. Pela primeira vez desde a independência, em 1947, um governo civil está concluindo cinco anos de mandato e deve passar o poder a outro governo eleito, sem a interferência recorrente dos por militares. Os extremistas, porém, tratam de afugentar os votantes. "A democracia é um sistema não islâmico, um sistema de infiéis. Peço à população que evite os locais de votação, se não quiser arriscar a vida", afirmou Ehsanullah Ehsan, porta-voz dos talibãs.
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Atentado e ameaças agitam Paquistão na véspera de eleições geraisAmeaça talibã e sequestro no último dia de campanha eleitoral no PaquistãoFilho de ex-premiê é sequestrado no PaquistãoCandidatos xiitas fazem campanha no Paquistão, apesar das ameaças de mortePelo menos 11 mortos em atentado em Karashi nas eleições no PaquistãoA organização reivindicou a maioria dos atentados relacionados à campanha. Ontem, pelo menos quatro pessoas morreram e 15 ficaram feridas na explosão de uma bomba perto de comitês eleitorais em Miranshah, nas áreas tribais do Oeste do país. Dois eleitores e um candidato à assembleia provincial de Sind morreram baleados em Karachi, capital financeira do país. Homens armados atacaram um comboio que transportava cédulas de votação na província do Baluchistão. Mais de 600 mil soldados e policiais foram mobilizados para garantir a segurança do processo. Segundo a TV Al-Jazeera, 86 milhões de paquistaneses estão aptos a votar. Na última eleição, em 2008, a taxa de comparecimento foi de 44%.