Israel aprovou nesta quinta-feira a construção de 296 casas no assentamento de Beit El, na Cisjordânia, ao mesmo tempo que tentou tranquilizar o governo dos Estados Unidos, que busca reativar as negociações com os palestinos, congeladas desde setembro de 2010.
Leia Mais
Israel pode ser "laboratório tecnológico" para a ChinaIsrael interroga principal autoridade islâmica de JerusalémStephen Hawking vai boicotar conferência em Israel, indica eventoA ministra israelense da Justiça, Tzipi Livni, também responsável pela negociações com os palestinos, minimizou de imediato o impacto da decisão, um dia depois de um encontro em Roma com o secretário de Estado americano, John Kerry. "Fui informada do anúncio ao sair da reunião (com John Kerry), verifiquei e informamos imediatamente aos americanos. Não há espaço para fazer drama ou ficar irritado", disse Livni à rádio militar. "Nos ouviram, entenderam e não reagiram", completou Livni.
Os colonos aceitaram abandonar o local sem violência em troca da promessa de construção de 300 casas na colônia. A Autoridade Palestina reagiu e acusou Israel de "sabotar" os esforços americanos para reativar o processo de paz. "Condenamos esta nova decisão que é uma prova de que o governo israelense quer sabotar e arruinar os esforços do governo americano para reativar o processo de paz", declarou à AFP o negociador palestino Saeb Erakat. "Netanyahu engana todo mundo"
O anúncio sobre Beit El foi feito poucos dias depois da imprensa e de uma ONG israelense terem informado que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu havia decidido suspender os projetos de construção de novas colônias, com o objetivo de favorecer os esforços dos Estados Unidos para reativar as negociações com os palestinos.
A Paz Agora, uma ONG israelense contrária à colonização, denunciou o projeto. "Esta iniciativa prova que Netnayahu engana todo mundo. De um lado faz acreditar que paralisa a colonização e do outro autoriza o lançamento de um enorme projeto de construção", afirmou à AFP Hagit Ofran, da Paz Agora. Questionado sobre as negociações de John Kerry para reativar as negociações de paz, Livni se mostrou prudente. "Há progressos para a abertura de negociações. Existe certa dinâmica que entrou em marcha. O secretário de Estado demonstra uma determinação que não vemos em anos", afirmou a ministra.
O jornal Haaretz informou na terça-feira que Kerry havia solicitado em março a Netanyahu, que foi contrário a um congelamento total da colonização, a restrição de novas construções nos assentamentos. Segundo o jornal. a direção palestina teria aceitado suspender durante o período as gestões destinadas a integrar organismos internacionais, incluindo as instâncias judiciais suscetíveis de iniciar ações contra Israel, algo permitido pelo estatuto da Palestina como Estado observador da ONU obtido em novembro.
Para a comunidade internacional, todos os assentamentos são ilegais, tenham sido autorizados ou não pelo governo. Mais de 260.000 colonos israelenses vivem na Cisjordânia ocupada e 200.000 nos bairros de colonização em Jerusalém Leste e anexada.