Leia Mais
Egito muda nove ministros em plena crise econômica e políticaEgito condena ataque aéreo israelense contra SíriaBrasil apoia o governo de Mursi no Egito, diz embaixadorAmericano é esfaqueado diante da embaixada do país no CairoNa declaração conjunta feita à imprensa, Dilma pediu um cessar-fogo imediato para deter o conflito sírio, que se arrasta há mais de dois anos, com saldo de mais de 70 mil mortos. Morsi reafirmou a posição de que a situação não será resolvida enquanto o presidente Bashar al-Assad continuar no poder, mas pediu apoio aos países amigos e aos membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas para pôr fim ao banho de sangue. O visitante também agradeceu o apoio do governo brasileiro à independência da Palestina, reiterado ontem por Dilma, que apontou a questão como "chave" para a pacificação do Oriente Médio. Como um dos países mais influentes da região, e um dos dois que assinaram a paz com Israel (ao lado da Jordânia), o Egito tem sido interlocutor frequente nesse conflito. Morsi, ligado à Irmandade Muçulmana, aprofundou o alinhamento com a causa palestina.
APROXIMAÇÃO A decisão de fazer a visita inédita ao Brasil é parte da estratégia do presidente para enfrentar os acentuados problemas econômicos do Egito, como escassez de alimentos, carestia e baixo crescimento. A mídia egípcia chegou a abordar a possibilidade de um dia o país ser aceito no Brics – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, países que se destacam entre as nações em desenvolvimento. Em pronunciamento à imprensa, o presidente deixou clara a intenção conquistar novos apoios na América do Sul, o que foi comemorado por Dilma. "O presidente Morsi e eu concordamos que a cooperação sul-sul é estratégica para que se estabeleça, de fato, a multipolaridade no mundo", afirmou. Morsi havia anunciado a intenção de vir ao Brasil por duas vezes e chegou a cancelar uma visita marcada para setembro último, devido à turbulência política no Egito.
Depois de almoçar com Dilma, Morsi assistiu a apresentações sobre programas sociais brasileiros, como o Bolsa Família e outros projetos de combate à pobreza. Antes de embarcar para São Paulo, ele se reuniu por 45 minutos com o ex-presidente Lula, que o convidou para um seminário que a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) promoverá em junho, na Etiópia, para discutir a erradicação da fome na África.