O primeiro-ministro conservador da Hungria, Viktor Orban, pregou neste domingo "tolerância zero" para com o antissemitismo durante a abertura em Budapeste da 14ª assembleia geral do Congresso Mundial Judaico (WJC, siglas em inglês).
O ministro da Energia israelense, Silvan Shalom, presente no congresso, reagiu positivamente à declaração. "O primeiro-ministro Viktor Orban lançou uma mensagem forte e clara à comunidade judaica húngara e aos extremistas com sua rejeição ao antissemitismo".
Em um comunicado, o WJC se mostrou mais crítico: "Reconhecemos o fato de o primeiro-ministro qualificar o antissemitismo como inaceitável e intolerável. Mas, lamentamos o fato de ele não ter feito referência à incidentes antissemitas ou racistas e de não ter ressaltado as diferenças entre o governo e a extrema-direita. Os atos são mais fortes do que as palavras, mesmo que bem intencionadas".
Diante de mais de 500 delegados, Viktor Orban ressaltou que o "antissemitismo é intolerável e inaceitável" e que é "mais grave" em outros países, enquanto na Hungria, o seu aumento é "resultado da crise econômica". Ele afirmou que seu governo "procura soluções" para combatê-lo.
Mais cedo, jornalistas e fotógrafos da AFP no local constataram que as ruas vizinhas ao Hotel Intercontinental - onde a conferência será realizada ao longo de três dias - tinham sido fechadas pela polícia. As restrições de trânsito e proibição de estacionamento permanecerão em vigor até 8 de maio.
Após o recente ataque em Boston, nos Estados Unidos, onde as bombas foram escondidas em latas de lixo, a polícia húngara retirou todas as lixeiras que estavam posicionadas nas redondezas doo hotel.
"Muitos de nós não queriam vir, não estamos acostumados a organizar uma conferência sob proteção policial. Esses dias se foram, mas queríamos mostrar solidariedade para com a comunidade judaica na Hungria, que é uma das maiores comunidades de judeus na Europa, com mais de 100.000 pessoas. Ao mesmo tempo, queremos enviar uma mensagem muito forte aos políticos e, em particular, ao primeiro-ministro e ao Governo húngaro", declarou à AFP Serge Cwajgenbaum, presidente do Congresso Judaico Europeu (EJC).
Incidentes antissemitas foram registrados na Hungria em 2012 e os organizadores do WJC esperam que Budapeste adote medidas: "Precisamos de uma mudança, esta é a mensagem que trazemos hoje", indicou Cwajgenbaum.
Segundo ele, a maneira mais eficaz de lutar contra o antissemitismo é uma legislação eficaz. "Legislar, legislar e legislar: estamos em um estado de direito e não podemos tolerar movimentos com lemas da época do fascismo neste país, também não podemos tolerar que organizações políticas de manifestem de uma forma abertamente antissemita e xenófoba", observou.
"Necessitamos de leis mais rigorosas, como as recentemente adotadas na Grécia, onde o governo grego decidiu proibir manifestações antissemitas e alertar os deputados da extrema-direita de que eles podem perder a sua imunidade e ser convocados para responder na Justiça por seus atos. É este tipo de legislação que esperamos para este país", acrescentou Cwajgenbaum.
O primeiro-ministro húngaro, o conservador Viktor Orban, fará um discurso na noite deste domingo diante dos 500 delegados do congresso, e nas presenças de Silvan Shalom, ministro israelense da Energia, e de Peter Feldmayer, presidente da Associação de Comunidades Judaicas da Hungria (Mazsihisz).
Durante a Segunda Guerra Mundial, a Hungria apoiou o governo nazista de Adolf Hitler na Alemanha. De 500.000 a 600.000 judeus húngaros morreram no Holocausto.
