A aviação militar israelense efetuou um ataque à Síria, segundo autoridades americanas citadas pela imprensa, enquanto 62 corpos foram encontrados neste sábado em uma cidade litorânea, em mais um massacre cometido no conflito que assola o país.
Uma fonte militar síria desmentiu o ataque contra seu território que teria ocorrido na noite de quinta para sexta-feira. Consultado pela AFP, o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, não confirmou a informação.
No Líbano, uma fonte diplomática indicou à AFP que o ataque tinha destruído mísseis terra-ar fornecidos recentemente pela Rússia, que estavam armazenados no aeroporto de Damasco.
Na sexta, a agência oficial síria Sana havia anunciado que rebeldes tinham disparado dois foguetes contra o aeroporto da capital, atingindo um avião e um reservatório de querosene.
"As agências americanas e ocidentais de inteligência examinaram as informações confidenciais indicando que Israel provavelmente executou um ataque aéreo entre quinta e sexta-feira", enquanto aviões de combate desse país sobrevoavam o Líbano, informou a rede de televisão CNN, citando autoridades americanas.
De acordo com a NBC, "o principal alvo de Israel era uma carregamento de armas destinado ao Hezbollah, no Líbano", referindo-se ao movimento xiita libanês, inimigo de Israel.
Um alto funcionário americano indicou a essa rede de notícias que o ataque visava, provavelmente, sistemas de lançamento de armas químicas, mas outras autoridades consultadas pela CNN questionaram essa informação.
Recusando-se a confirmar o ataque, um membro do Ministério israelense da Defesa indicou à AFP que "Israel acompanha a situação na Síria e no Líbano, particularmente em relação à transferência de armas químicas e de armas especiais".
Outro alto funcionário do Ministério da Defesa, Amos Gilad, citado pela imprensa local, não quis confirmar o ataque israelense contra a Síria, mas ressaltou que o Hezbollah não possui armas químicas sírias e não deseja obtê-las.
"A Síria tem grandes quantidades de armas químicas e de mísseis. Tudo está sob controle (do regime sírio). O Hezbollah não tem armas químicas. Temos como saber disso. Não precisa ter essas armas e prefere sistemas que possam cobrir todo o país (Israel)", afirmou essa autoridade, referindo-se ao arsenal convencional do Hezbollah, principalmente aos seus foguetes de longo alcance.
Israel reivindicou implicitamente a responsabilidade por uma operação aérea no final de janeiro contra instalações militares na Síria.
Um comunicado do Exército libanês indicou vários sobrevoos de caças-bombardeiros israelenses na noite de quinta para sexta-feira.
Novo massacre
No terreno, o horror da guerra aflige os habitantes do país alauita -- comunidade do chefe de Estado Bashar al-Assad -- no oeste sírio.
Pelo menos 62 corpos foram encontrados neste sábado em um bairro de Banias (ONG), no oeste sírio, invadido na véspera pelas forças do regime de Bashar al-Assad, afirmou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).
"Dezenas de corpos de cidadãos mortos na sexta-feira durante o ataque do Exército e de membros alauitas do Exército de Defesa Nacional no bairro de Ras al-Nabaa em Banias, habitado por sunitas, foram encontrados neste sábado", afirmou o OSDH.
"Conseguimos identificar 62 corpos, incluindo os de 14 crianças, mas esse número pode aumentar porque dezenas de cidadãos ainda estão desaparecidos", acrescentou esta ONG que se baseia em uma ampla rede de militantes, médicos e fontes militares em todo o país.
Após essa matança, centenas de famílias fugiam neste sábado dos bairros sunitas.
De acordo com o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman, "elas começaram a fugir esta manhã dos bairros sunitas do sul da cidade em direção a Tartous e Jablé", respectivamente ao sul e ao norte de Banias.
Na quinta, um outro massacre foi registrado na localidade sunita de Bayda, na periferia sul de Banias. O OSDH indicou pelo menos 50 mortos, em sua maioria civis, informando que as mortes tinham sido causadas por execuções sumárias e bombardeios.
A Coalizão opositora indica em um comunicado que "a multiplicação dos massacres se transforma em uma operação de limpeza étnica que se assemelha à efetuada pelas forças sérvias na Bósnia há vinte anos", referindo-se ao conflito na ex-Iugoslávia.
A Coalizão indicou ainda que há "um êxodo"nesta região.
O governo dos Estados Unidos lamentou neste sábado as informações relativas ao "massacre" cometido em Bayda e advertiu que "os responsáveis por violações dos direitos humanos terão que prestar contas".
"Os Estados Unidos estão horrorizados com as terríveis informações sobre mais de cem mortos no dia 2 de maio em horríveis ataques na cidade de Bayda", escreveu em um comunicado Jennifer Psaki, porta-voz do Departamento de Estado.
Um vídeo filmado no bairro de Ras al-Nabaa por militantes e divulgado pelo OSDH mostra uma pilha de corpos ensanguentados em uma rua, com pelo menos uma criança entre eles.
A ONG havia indicado em um último registro ao menos 50 mortos em Bayda, em sua maioria civis, indicando que as mortes tinham sido causadas por execuções sumárias e bombardeios.
Ainda neste sábado, o presidente sírio, Bashar al-Assad, inaugurou neste sábado na Universidade de Damasco um marco em memória de estudantes mortos desde o início da revolta neste país, em março de 2011, segundo a agência Sana. Esta é sua segunda aparição pública em quatro dias.
A violência causou a morte de 122 pessoas na sexta, incluindo 56 civis, segundo o OSDH.