Pelo menos 25 manifestantes foram mortos durante um assalto do Exército, o que provocou a renúncia de dois ministros e uma série de sangrentos ataques em represália, totalizando 67 mortos nesta terça-feira.
Esses episódios de violência, os mais graves ligados a essas manifestações que acontecem nas regiões sunitas desde dezembro passado, deixaram 54 mortos.
Os manifestantes exigem a renúncia do primeiro-ministra Nuri al-Maliki, que é xiita, acusando-o de concentração de poder e de "marginalização" da comunidade sunita.
Outras 13 pessoas também foram mortas em atos violentos, elevando para 67 o número de mortos nesta terça.
Ao amanhecer, as forças de segurança invadiram uma área da localidade de Huweijah, na província de Kirkuk (norte), depois do término do ultimato dado aos manifestantes para que entregassem os assassinos de um soldado morto na semana passada, informou o Ministério do Interior.
Segundo o Exército, 25 manifestantes e dois militares foram mortos nessa invasão e 70 pessoas ficaram feridas.
"Nossas forças não abriram fogo primeiro. Fizeram isso apenas depois que os manifestantes atiraram, e nós atiramos de volta para nos defendermos", disse um oficial, que pediu para não ser identificado.
Segundo ele, a operação tinha como alvo o "Exército dos Naqchbandis", que tem entre suas fileiras antigos oficiais do Exército de Saddam Hussein e seria ligado ao número dois do regime ainda foragido, Izzat al-Duri.
Dois soldados foram mortos nessa operação, e cinco ficaram feridos.
Um porta-voz dos manifestantes, Abdel Malek Al-Juburi, disse à AFP que as forças do governo "abriram fogo indiscriminadamente" sobre os manifestantes. Os soldados "colocaram fogo nas barracas", onde centenas de manifestantes acampam há semanas.
O Ministério do Interior garante, por sua vez, que as autoridades "exigiram que os manifestantes pacíficos não armados evacuassem o local" antes de invadir. Essa operação deflagrou uma série de ataques em represália.
"Logo que eles souberam que houve mortos e feridos no lugar do protesto, os membros das tribos das cidades da região atacaram os postos de controle do Exército", disse o porta-voz dos manifestantes.
Treze homens que tentavam atacar posições do Exército na província de Kirkuk foram mortos, disseram oficiais.
Mais tarde, manifestantes armados mataram seis soldados e sequestraram um sétimo, perto de Ramadi(oeste), anunciou uma fonte policial. Segundo o tenente Ibrahim Faraj, os militantes incendiaram dois veículos blindados.
Atiradores também atacaram pontos de controle na área de Sulaiman Bek, na província de Salaheddin. Nesses confrontos, cinco soldados iraquianos e um atirador foram mortos, e outros seis ficaram feridos, disse Ahmed Aziz, membro de um conselho municipal local.
Dois policiais também foram mortos, e três ficaram feridos, em Fallujah, oeste de Bagdá, segundo um oficial de polícia e um médico.
Denunciando esses atos violentos, dois ministros entregaram os cargos, elevando para quatro o número de ministros sunitas a renunciar desde março.
"O ministro da Educação, Mohammed Ali Tamim, renunciou ao cargo, depois que o Exército invadiu um local de protesto na província de Kirkuk", afirmou um membro do gabinete do vice-primeiro-ministro, Saleh al-Moutlak.
Mais tarde, o presidente do Parlamento, Osama al-Nujaifi, divulgou o pedido de renúncia do ministro da Ciência e Tecnologia Abdel Karim al-Samarraï.
O chefe do Conselho da província de Kirkuk, Hassan Trouhan, convocou "a ONU a intervir, porque a situação é extremamente grave, e Kirkuk não pode suportar novas crises". Situada a 240 km ao norte Bagdá, a província de Kirkuk é um mosaico étnico e religioso, onde convivem curdos, árabes e turcomanos, sunitas e xiitas.
Nesse ambiente bastante tenso, 13 pessoas foram mortas nos ataques às mesquitas sunitas, que também deixaram dezenas de feridos, segundo fontes médicas e dos serviços de segurança.
Dois ataques à mesquita de Moqdadiyyah, ao nordeste de Bagdá, deixaram nove mortos e 25 feridos. O balanço anterior era de seis mortos e 20 feridos.
Além disso, quatro fiéis foram mortos nesta terça, e 14 ficaram feridos na explosão de duas bombas, que tinham como alvo uma mesquita sunita em Bagdá, segundo fontes dos serviços de segurança.
A minoria sunita representa pelo 24% da população iraquiana.