“Se João Paulo II ficou marcado como papa dos jovens e Bento XVI, do amor, Francisco entrará para a história como o pontífice da humildade”, analisa o estudante de engenharia agrícola em Viçosa, na Zona da Mata, Odilon Moreira Guedes Neto, de 18 anos, que trajava a camisa da JMJ. “Fiquei muito emocionado ao ver que o novo papa era, na verdade, escolhido pelo Espírito Santo e não pela mídia”, contou o estudante, assegurando ter ficado mais feliz quando ele rezou e se fez grande silêncio na Praça de São Pedro.
A humildade chamou a atenção do estudante de sistema de informação, Lucas Martins de Morais, de 19, morador do Bairro Ouro Preto, na Pampulha. E gostou da escolha do cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio: “Ele me pareceu perplexo diante da responsabilidade que tem pela frente, mas já mostrou que a Igreja é forte e que quem vive uma crise de valores é a sociedade”. Para Lucas, o ponto principal do fim do conclave foi o papa escolher o nome Francisco, em homenagem a São Francisco de Assis e São Francisco Xavier, um dos fundadores da ordem dos jesuítas. “Eleger os pobres e os humildes é um gesto de fraternidade, mas serão necessários diálogo e trabalho, com a bênção de Deus”.
Olhando o pôster do papa publicado no jornal, a nutricionista Edmara Rodrigues Souza, de 23 anos, moradora do Bairro Santa Mônica, na Região de Venda Nova, lembrou que o papa é um pai – “e a gente o ama assim”. Na sua avaliação, o trono de São Pedro é ocupado por aquele que representa o “doce Cristo na Terra”. Ao fim do conclave, quando o papa acenou à multidão na Praça de São Pedro, “eu fiz uma oração a Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira do México e América Latina, para que lhe desse força e sabedoria para conduzir a sua missão. “O fardo é pesado”, ressaltou Edmara.
É possível renovação? A missionária da comunidade Shalom, a nutricionista Ivana Firmino Batista, de 24, natural de João Pessoa (PB) acredita que sim, “pois Deus tem uma forma própria para cada tempo”. Atenção aos pobre e zelo pela Igreja, acredita, são imprescindíveis, acredita a jovem, certa de que os evangelhos são imutáveis e o papa conduzirá a Igreja no seu ritmo e carisma. O fato se ser um latino-americano agradou em cheio o também missionário da comunidade Shalom Artur Nogueira Vidal Menezes, natural de Fortaleza (CE), que participará da Semana Missionária em BH e da JMJ no Rio. “Vem um tempo novo aí”, crê o jovem. Ao lado, Isabela de Melo Lima, de 24, estudante de musicoterapia, tem consciência de que a força da fé é o antídoto contra todos os males que ameaçam os jovens, principalmente as drogas. “Mas é preciso também ter força para largar o vício. Prevenir é o melhor remédio”, concluiu.
JUVENTUDE QUER VIVER
Os jovens estavam acompanhados do secretário-geral da Semana Missionária ou Pré-Jornada, Rafael Pujoni Morais, e do coordenador do Secretariado Arquidiocesano da Juventude, Wendel José dos Santos. Eles informaram que no Domingo de Ramos (24 de março), às 14h, haverá comemoração local do Dia Mundial da Juventude, com o nome de Jornada Arquidiocesana da Juventude na Praça do Papa, “um espaço que precisa recuperar o aspecto simbólico, histórico e de religiosidade”, devido à missa celebrada em 1980 por João Paulo II”, diz Rafael. Estão previstos shows com as bandas Sinal de Paz e Cristocada, que toca nos moldes da Bartucada de Diamantina. Rafael explicou que a expectativa é de que 10 mil voluntários atuem na Pré-Jornada e que 4 mil famílias, no âmbito da arquidiocese, aceitem receber peregrinos em suas casas. Para o dia 20 de julho, à tarde, dentro da Semana Missisonária, está prevista caminhada da Praça do Papa à Praça da Estação, no Centro de BH, que vai se transformar em Cidade dos Peregrinos. A favor da vida e contra as drogas, a caminhada terá como tema “A juventude quer viver”. Informações sobre os eventos estão disponíveis no site www.semanamissionariabh.org.br.