Jornal Estado de Minas

Venezuela rejeita relatório da AIE e a tacha de "inimiga" da Opep

AFP

A Venezuela rejeitou nesta quarta-feira o relatório da Agência Internacional da Energia (AIE), que criticou a estrutura "decadente" da estatal PDVSA, e o ministro de Petróleo e Mineração, Rafael Ramírez acusou o organismo de ser "inimigo" da Opep.

A AIE "foi criada para fazer contraposição à Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP), de forma que não considero as opiniões da AIE, as vejo como quando o inimigo fala", disse Ramírez em uma coletiva de imprensa.

São "os inimigos obstinados da OPEP", acrescentou o ministro e também presidente da PDVSA.

A AIE previu nesta quarta-feira uma árdua tarefa para o sucessor do presidente Hugo Chávez, de conjugar os investimentos urgentes necessários à estrutura "decadente" da PDVSA, à "reorganização profunda" do setor esperada pelos sócios estrangeiros e a necessidade de continuar a política social de Chávez, financiada com as milionárias receitas petrolíferas.

Ramírez afirmou que a empresa estatal "está em condições operacionais normais" e envolvida em um plano para elevar a produção a quatro milhões de barris em 2014 e seis milhões em 2019, com um investimento de 25 bilhões de dólares este ano.

A Venezuela produz uma média de três milhões de barris diários (mdb), segundo dados oficiais, apesar da Opep afirmar que a oferta de petróleo do país é de 2,3 mbd.

O organismo também criticou o fato de Chávez deixar como herança "uma produção de petróleo futura em parte hipotecada aos credores chineses", considerando que o crédito de 30 bilhões de dólares concedido pela China à Venezuela "decepcionou" Pequim.

A Venezuela vende 640 mil barris diários de petróleo à China, dos quais 264.000 são destinados a pagar a dívida que o país mantém com o gigante asiático.

Ramírez também rejeitou essas considerações e ressaltou que as relações com China estão "bem".