Considerado mais um player estratégico no círculo íntimo de Bin Laden, do que um conspirador operacional, Abu Ghaith seria o mais alto escalão da Al-Qaeda a ser julgado em solo norte-americano desde os ataques de 2001. Funcionários de inteligência dizem que ele pode ser capaz de lançar uma nova luz sobre o funcionamento interno da Al-Qaeda - relativa às relações obscuras da organização no Irã durante a última década, por exemplo - mas, provavelmente, ele tem poucos detalhes sobre ameaças específicas, ou iminentes, em curso.
Ele deu uma declaração de 22 páginas às autoridades norte-americanas depois de sua prisão, em 28 de fevereiro, na Jordânia, de acordo com os promotores, que não forneceram mais detalhes.
Barbudo e careca, Abu Ghaith falou pouco durante a audiência de 15 minutos na Corte Distrital dos EUA, em Nova York. Através de um intérprete, o juiz Lewis A. Kaplan perguntou se ele entendia seus direitos. Abu Ghaith concordou e disse: "sim". Perguntado se ele tinha dinheiro para contratar um advogado, ele balançou a cabeça e disse que não. Ele também balançou a cabeça e disse sim quando foi perguntado se havia assinado uma declaração descrevendo a sua situação financeira.
Kaplan prometeu marcar a data do julgamento, quando o caso voltar ao tribunal no dia 8 de abril. A fiança não foi solicitada, e nenhuma foi definida. O advogado de Abu Ghaith se recusou a comentar o assunto após a audiência.
O fato de o réu estar sendo julgado na Corte Distrital é controversa em si mesma. Os republicanos estão criticando o governo do presidente Barack Obama de trazer Abu Ghaith para Nova York em vez de mandá-lo para os militares no centro de detenção na Baía de Guantánamo, em Cuba.