A Espanha disse nesta quinta-feira que nenhuma nova medida será necessária para conter seu déficit público depois de a divulgação dos dados oficiais mostrar que as medidas de austeridade em 2012 contribuíram para a recessão do país.
A quarta maior economia da zona do euro encolheu 1,4% na comparação anual em 2012, com as famílias reduzindo gastos, disse o instituto nacional de estatísticas.
Este foi um desempenho ligeiramente melhor que a queda de 1,5% prevista pelo governo.
Contudo, o PIB se contraiu 0,8% no último trimestre de 2012, a queda mais acentuada desde o segundo trimestre de 2009 e mais que o dobro dos 0,3% registrados nos três meses anteriores.
Os números foram levemente piores que os dados preliminares divulgados no mês passado pelo instituto de estatísticas em que a economia cairia 0,7% no último trimestre, na comparação trimestral, e 1,37% ao longo do ano.
A Espanha está lutando com uma recessão de mergulho duplo e 26% de desemprego, causados pelo colapso após uma década de boom imobiliário em 2008.
O governo conservador do primeiro-ministro Mariano Rajoy acredita que a economia voltará a crescer no segundo semestre de 2013.
O governo havia previsto uma contração da economia de 0,5% em 2013 seguida de uma expansão de 1,2% em 2014, uma previsão mais otimista que a de analistas e organizações internacionais.
A atividade parece ser limitada pelos cortes de gastos e aumento de impostos, que buscam economizar 150 bilhões de euros entre 2012 e 2014, o que provocou muitos protestos nas ruas do país.
A contração econômica no quarto trimestre foi causada principalmente por uma queda na demanda doméstica, informou o instituto nacional de estatísticas.
Os gastos com consumo caíram 1,9% enquanto os gastos do governo recuaram 0,3%.
O governo prometeu reduzir o déficit público de 9,4% do PIB no ano passado a 2,8% em 2014.
Analistas dizem que esses objetivos serão difíceis de alcançar em um período de declínio da atividade econômica.
Jonathan Loynes, economista chefe europeu da Capital Economics em Londres, disse que "uma continuação da fragilidade observada no quarto trimestre apontaria para uma contração anual de mais de 3%".
"Desnecessário dizer que isso teria efeitos nocivos para o processo de consolidação fiscal", acrescentou.
Contudo, o ministro do Orçamento, Cristobal Montoro, disse que a Espanha não precisará de novas medidas para conter seu corte de gastos em 2013, apesar de o país não ter conseguido atingir seus objetivos no ano passado.
"Não há necessidade para novos cortes", disse ele em uma coletiva de imprensa.
O déficit público espanhol total atingiu 6,74% do PIB em 2012, se comparado com o objetivo acordado com a Comissão Europeia de 6,3%, disse ele.
O déficit público das 17 poderosas regiões espanholas foi de 1,73% do PIB no ano passado, se comparado ao objetivo de 1,5%.
"Eu insisto que o que conseguimos é realmente grande, importante, realmente notável e ajudará a Espanha e seus governos regionais a recuperar sua credibilidade", disse Montoro.
Outros dados oficiais divulgados nesta quinta-feira oferecem sinais de um fortalecimento econômico.
A taxa de inflação espanhola continua inalterada em 2,8% em fevereiro, comparada a janeiro, depois do declínio de outubro, disse o instituto nacional de estatísticas em um relatório separado.
O déficit de conta corrente do país caiu 78% em 2012 a 8,3 bilhões de euros, de 37,5 bilhões de euros, no ano anterior com o aumento das exportações, disse o Banco de Espanha.
Esta foi a terceira queda consecutiva anual no déficit de conta corrente após o declínio de 17,8% em 2011 e 18,2% em 2010.
A Espanha acumulou o segundo maior déficit de conta corrente do mundo durante o boom imobiliário até 2008.
Em dezembro, a Espanha registrou superávit de conta corrente de 4,9 bilhões de euros, comparado ao déficit de conta corrente de 3,9 bilhões de euros durante o mesmo período um ano antes.