Jornal Estado de Minas

Guantánamo: militar reconheceu 'pressão' ao investigar suspeitos pelo 9/11

AFP

Um militar americano reconheceu nesta quarta-feira que se sentiu pressionado quando recebeu ordens para investigar a correspondência dos cinco prisioneiros de Guantánamo acusados de conspirar nos atentados de 11 de setembro de 2001.

No terceiro dia de audiências preliminares na base naval americana na Baía de Guantánamo (sudeste de Cuba), o tenente Alexander Homme testemunhou por videoconferência sobre o manejo das correspondências dos detentos considerados de "alto nível".

Os advogados de defesa já haviam denunciado que os privilégios cliente-advogado tinham sido violados durante o julgamento, referindo-se ao uso de microfones por parte do governo para escutar ilegalmente as conversas dos suspeitos.

Na audiência desta quarta-feira foi dito que em 2012 Homme escreveu constatando que trabalhar em Guantánamo significava uma "imensa pressão" por parte dos advogados e das autoridades militares, assim como considerações políticas.

Cheryl Bormann, uma advogada de defesa do suspeito iemenita Walid bin Attash, consultou Homme sobre documentos legais que sustentam o caso de seu cliente aos quais ela não tem acesso, e sobre as instruções que o oficial recebeu em relação ao controle da correspondência.

"Havia pressão", declarou Homme, que já não trabalha em Guantánamo. "Nunca li o conteúdo do que controlava. Lembro de ter rejeitado uma grande quantidade de documentos", acrescentou.

"Qualquer coisa que não fosse produzida para a defesa seria colocada na pilha de coisas a serem rejeitadas", afirmou.

Ao ser pressionado por Bormann, Homme reconheceu que a pressão veio do Departamento de Estado, do FBI e de outras agências do governo.

Disse que não lembra de ter falado "diretamente com representantes de agências de inteligência", exceto do J2, o serviço de inteligência das Forças Conjuntas de Guantánamo.

A audiência desta quarta -que foi boicotada pelos cinco suspeitos- está sendo realizada na base militar de Fort Meade (Maryland), perto da capital americana.

Caso sejam considerados culpados, os cinco acusados podem ser condenados a penas de morte pelo assassinato de cerca de 3.000 pessoas em 11 de setembro de 2001 nas Torres Gêmeas de Nova York, no Pentágono e pela queda de um avião de passageiros na Pensilvânia.