Jornal Estado de Minas

Pyongyang faz teste nuclear e ameaças

Ação recebe condenação de vários países e Conselho de Segurança da ONU pode ampliar as sanções contra o país

Seul – O regime comunista da Coreia do Norte realizou seu terceiro teste nuclear, desafiando as atuais resoluções das Nações Unidas e despertando uma avalanche de condenações em todo o mundo. O governo norte-coreano informou que o teste faz parte das medidas para proteger a segurança e a soberania “contra a hostilidade imprudente dos Estados Unidos”. De acordo com a nota oficial da agência estatal KCNA, o "teste nuclear de alto nível, ao contrário dos executados no passado, teve mais potência e incluiu um dispositivo atômico miniaturizado e mais leve". O teste foi conduzido em local subterrâneo, assim como os dois anteriores, realizados em 2006 e 2009.
Além do teste, o regime do jovem ditador Kim Jong-un aumentou sua retórica de confronto e fez ameaças, certamente já prevendo as fortes reações que a detonação do artefato provocaria. "O teste nuclear mais recente foi apenas a primeira ação, na qual nós exercitamos tanto autocontrole quanto possível", disse o Ministério das Relações Exteriores em um comunicado divulgado pela agência estatal de notícias oficial. "Se os EUA complicarem ainda mais a situação com contínua hostilidade, nós só teremos a escolha de realizar uma segunda e terceira rodada de ações ainda mais fortes", afirmou o órgão, sem fornecer mais detalhes.

O Conselho de Segurança da ONU, que se reuniu de emergência para discutir o novo desafio norte-coreano, declarou que "condena firmemente" o país e anunciou que iniciará imediatamente as negociações sobre novas medidas contra Pyongyang. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) afirmou que o teste foi "profundamente lamentável e uma clara violação das resoluções do Conselho de Segurança da ONU". A embaixadora norte-americana para a ONU, Susan Rice, disse que Washington e seus aliados planejam "aumentar o regime de sanções" que já está em vigor diante dos testes atômicos de Pyongyang em 2006 e 2009. A Coreia do Norte já é um dos países com mais sanções do mundo e tem poucas relações econômicas externas.

As condenações partiram de todos os lados. O presidente dos EUA, Barack Obama, disse que o "provocativo" teste nuclear não a torna mais segura e pediu "rápida" e "credível" ação internacional em resposta. "Longe de alcançar sua meta declarada de se tornar uma nação forte e próspera, a Coreia do Norte, em vez disso, está cada vez mais isolada e empobrecendo seu povo através de sua busca imprudente de armas de destruição em massa e seus meios de lançamento", disse Obama. Todos os outros membros permanentes do Conselho de Segurança – China, França, Reino Unido e Rússia – deram declarações ou emitiram comunicados criticando o teste e, em geral, qualificando a ação como provocação que prejudica os esforços de paz na Península Coreana.

BRASIL

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro pede à Coreia do Norte que cumpra plenamente as resoluções do Conselho de Segurança da ONU e que contribua para criar condições de retomar as negociações relativas à paz. Até mesmo o Irã, que já sofreu várias sanções por causa do seu programa de enriquecimento de urânio, anunciou que desaprova a atitude tomada pelo governo norte-coreano. "Precisamos chegar a um ponto em que nenhum país tenha armas nucleares e, ao mesmo tempo, todas as armas de destruição de massa precisam ser destruídas", afirmou o porta-voz do Ministério de Relações Internacionais, Ramin Mehmanparast.

A mais significativa condenação, porém, foi a realizada pela China, país mais próximo do regime de Kim Jong-un e um importante parceiro comercial. Pequim tem mostrado sinais de irritação crescente com o tom belicoso recente da Coreia do Norte. Ontem, convocou o embaixador norte-coreano em Pequim e protestou com firmeza. O ministro chinês das Relações Exteriores, Yang Jiechi, disse que a China está "fortemente insatisfeita e tem resoluta oposição" ao teste, e pediu que a Coreia do Norte "pare qualquer retórica ou atos que possam agravar a situação e volte ao caminho certo de diálogo e consulta o mais rápido possível".

Os serviços de inteligência dos Estados Unidos afirmaram que a potência do teste foi de vários quilotons. A Coreia do Sul calculou entre seis e sete a potência da explosão. A informação do uso de um dispositivo "miniaturizado" deve provocar alarme, pois dá a entender que o governo norte-coreano alcançou um nível de tecnologia suficiente para fabricar um artefato nuclear que poderia ser instalado em um míssil de longo alcance.

Em dezembro, o governo norte-coreano, cuja sede fica na capital, Pyongyang, executou um teste de lançamento de foguete para colocar um satélite em órbita, ação que demonstrou os avanços na área da tecnologia de mísseis. No campo técnico, analistas tentam descobrir se a Coreia do Norte usou parte de suas escassas reservas de plutônio ou se utilizou urânio como opção de desenvolvimento para detonações atômicas.