O Conselho de Segurança da ONU, que se reuniu de emergência para discutir o novo desafio norte-coreano, declarou que "condena firmemente" o país e anunciou que iniciará imediatamente as negociações sobre novas medidas contra Pyongyang. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) afirmou que o teste foi "profundamente lamentável e uma clara violação das resoluções do Conselho de Segurança da ONU". A embaixadora norte-americana para a ONU, Susan Rice, disse que Washington e seus aliados planejam "aumentar o regime de sanções" que já está em vigor diante dos testes atômicos de Pyongyang em 2006 e 2009. A Coreia do Norte já é um dos países com mais sanções do mundo e tem poucas relações econômicas externas.
As condenações partiram de todos os lados. O presidente dos EUA, Barack Obama, disse que o "provocativo" teste nuclear não a torna mais segura e pediu "rápida" e "credível" ação internacional em resposta. "Longe de alcançar sua meta declarada de se tornar uma nação forte e próspera, a Coreia do Norte, em vez disso, está cada vez mais isolada e empobrecendo seu povo através de sua busca imprudente de armas de destruição em massa e seus meios de lançamento", disse Obama. Todos os outros membros permanentes do Conselho de Segurança – China, França, Reino Unido e Rússia – deram declarações ou emitiram comunicados criticando o teste e, em geral, qualificando a ação como provocação que prejudica os esforços de paz na Península Coreana.
BRASIL
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro pede à Coreia do Norte que cumpra plenamente as resoluções do Conselho de Segurança da ONU e que contribua para criar condições de retomar as negociações relativas à paz. Até mesmo o Irã, que já sofreu várias sanções por causa do seu programa de enriquecimento de urânio, anunciou que desaprova a atitude tomada pelo governo norte-coreano. "Precisamos chegar a um ponto em que nenhum país tenha armas nucleares e, ao mesmo tempo, todas as armas de destruição de massa precisam ser destruídas", afirmou o porta-voz do Ministério de Relações Internacionais, Ramin Mehmanparast.
A mais significativa condenação, porém, foi a realizada pela China, país mais próximo do regime de Kim Jong-un e um importante parceiro comercial. Pequim tem mostrado sinais de irritação crescente com o tom belicoso recente da Coreia do Norte. Ontem, convocou o embaixador norte-coreano em Pequim e protestou com firmeza. O ministro chinês das Relações Exteriores, Yang Jiechi, disse que a China está "fortemente insatisfeita e tem resoluta oposição" ao teste, e pediu que a Coreia do Norte "pare qualquer retórica ou atos que possam agravar a situação e volte ao caminho certo de diálogo e consulta o mais rápido possível".
Os serviços de inteligência dos Estados Unidos afirmaram que a potência do teste foi de vários quilotons. A Coreia do Sul calculou entre seis e sete a potência da explosão. A informação do uso de um dispositivo "miniaturizado" deve provocar alarme, pois dá a entender que o governo norte-coreano alcançou um nível de tecnologia suficiente para fabricar um artefato nuclear que poderia ser instalado em um míssil de longo alcance.
Em dezembro, o governo norte-coreano, cuja sede fica na capital, Pyongyang, executou um teste de lançamento de foguete para colocar um satélite em órbita, ação que demonstrou os avanços na área da tecnologia de mísseis. No campo técnico, analistas tentam descobrir se a Coreia do Norte usou parte de suas escassas reservas de plutônio ou se utilizou urânio como opção de desenvolvimento para detonações atômicas.