Cairo – Depois de oito dias de protestos que mataram quase 60 pessoas no Egito, o vídeo de um manifestante nu, arrastado pelo chão e espancado com cassetetes por policiais elevou ainda mais a fúria dos egípcios contra o governo. Hamada Saber segue internado em um hospital policial, depois de ter sido mostrado na sexta-feira pela televisão nu, coberto de fuligem e atacado por seis policiais que o tiraram de um veículo blindado perto do palácio presidencial.
Ontem, a Frente de Salvação Nacional (FSN), principal aliança de oposição do Egito, fez uma convocação para derrubar o regime de Mursi, levá-lo à Justiça e acabar com “a hegemonia da Irmandade Muçulmana no poder”. “Pedimos uma investigação judicial neutra sobre o assassinato, a tortura e as detenções indiscriminadas e que todos os responsáveis desses delitos sejam levados a um tribunal justo – começando pelo presidente da República”, pediu a FSN. “Mursi foi desnudado e perdeu sua legitimidade”, tuitou Ahmed Maher, fundador do movimento 6 de Abril, que ajudou a lançar os protestos contra Mubarak. Na sexta-feira, um manifestante foi morto a tiros, e mais de 100 ficaram feridos, depois de batalhas entre a polícia e manifestantes que atacaram o palácio de Mursi com bombas de gasolina. Autoridades dizem que o aumento de policiais nas ruas é necessário para controlar as multidões violentas, e que nada até agora tinha repercutido tanto como as imagens dos policiais agredindo o homem claramente indefeso, caído e sem representar ameaças.