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Policiais sequestrados pelas Farc na Colômbia são 'prisioneiros de guerra'Farc desejam 'sucesso' à cúpula da Celac e prometem se esforçar pela pazPolícia da Colômbia atribui às Farc sequestro de dois agentesExército da Colômbia mata líder de frente das FarcFim da trégua das Farc pressiona processo de paz na ColômbiaO grupo armado também reforçou seu comprometimento de não fazer sequestros extorsivos. Em fevereiro do ano passado, a guerrilha anunciou a abolição dos sequestros de caráter econômico de civis.
O comunicado ocorre poucos dias depois da captura de Victor González e Cristian Camilo, policiais sequestrados pela guerrilha na semana passada, no Vale de Cauca, no sudoeste do país. Os dois oficiais são os primeiros capturados pelas Farc após a libertação de quatro militares e seis policiais, em abril do ano passado. Na ocasião, esses eram, oficialmente, os últimos reféns militares em poder da guerrilha.
Nessa terça-feira (29), o ministro de Defesa da Colômbia, Juan Carlos Pinzón, exigiu a liberação dos dois militares e criticou o sequestro. “Enquanto as autoridades fazem esforços para garantir a segurança do país, a guerrilha se dedica a cometer atentados e outros delitos de lesa-humanidade”, atacou Pinzón.
Para analistas ouvidos pela Agência Brasil, o anúncio das Farc segue as regras aplicadas pelo Direito Internacional Humanitário (DIH), que deve ser obedecido em casos de guerra. O cientista político colombiano Álvaro Villarraga explica que as Farc devem ser coerentes no sentido de não sequestrar civis, conforme prometeram, mas que, no âmbito do DIH, capturar militares não é uma infração.
“Fazer prisioneiros de guerra ou capturar envolvidos de ambos os lados, sejam guerrilheiros ou militares, é aceito do ponto de vista das regras da guerra”, diz Villarraga.
Mesmo assim, o pesquisador adverte que é difícil convencer a opinião pública. “Privar alguém de liberdade é ilegal no contexto dos direitos humanos, por isso é incompreensível para a sociedade, ainda que aceitável dentro da guerra”, arremata.
Já Ariel Ávila, coordenador da organização não governamental Corporação Novo Arco-Íris, especializada no conflito colombiano, acredita que o anúncio de manter a captura de militares serve para as Farc mostrarem que têm força. “A propaganda de que a guerrilha está acuada é enfraquecida quando eles mostram que têm capacidade de capturar militares em combate”, avalia.
E apesar da demonstração de força da guerrilha, Ávila também concorda que o desgaste com a sociedade é inevitável. “Estamos, mais uma vez, tentando um acordo de paz. E, em meio a essa negociação delicada, é complicado esperar compreensão da sociedade”, acrescenta.