Pelo menos 55 pessoas morreram e 90 ficaram feridas ontem durante uma rebelião na prisão de Uribana, no estado venezuelano de Lara. A informação foi dada pelo diretor do hospital central Antonio María Pineda, Ruy Medina, que atendeu as vítimas. “Por volta das 20h (hora local), contamos 90 feridos, a maior parte deles por tiros, e meia centena de mortos”, disse Medina.
Segundo a ministra dos Assuntos Penitenciários do país, Íris Varela, há detentos e também policiais e carcereiros entre os feridos. Ela adiantou que será divulgado um relatório detalhado da situação tão logo as autoridades consigam retomar o “controle absoluto” do presídio. Imagens divulgadas pela imprensa local mostram barricadas da Guarda Nacional em frente à prisão, presos sendo socorridos com roupas ensanguentadas e parentes dos detentos chorando à espera de notícias.
Uma revista para busca e apreensão de armas no presídio teria motivado a revolta de um grupo de presos armados, que, segundo Íris Varela, “atacaram as tropas da Guarda Nacional”. Ainda de acordo com a ministra, a operação para o que ela chama de “desarmamento total” do presídio foi deflagrada depois que as autoridades tomaram conhecimento de uma guerra para “ajuste de contas” entre gangues rivais que disputavam o controle do centro de detenção. O líder de oposição, Henrique Capriles, que disputou com Hugo Chávez a última eleição para a Presidência do país, culpou o governo pelo incidente, o qual chamou de “massacre”.
O diretor da ONG Observatório Venezuelano de Prisões (OVP), Humberto Prado, por sua vez, lamentou que o “Estado venezuelano ainda não tenha assumido a responsabilidade pelos fatos” e, em contrapartida, “culpa a mídia”. Prado lembrou ainda que a prisão de Uribana está sob a tutela provisória do Tribunal de Direitos Humanos (CIDH) desde 2006. “A corte interamericana ordenou ao país que um preso não pode morrer mais no centro de detenção, mas, infelizmente, o Estado venezuelano fracassou, e por causa disso ocorre um episódio de grave de violência”, disse Prado.
Segundo dados da OVP, Uribana foi projetada para abrigar 850 detentos, mas tem cerca de 2,5 mil atualmente. Além disso, segundo a ONG a prisão se caracteriza por abrigar os violentos “coliseus”, nos quais os presos se enfrentam com armas brancas como diversão e como forma de ganhar prestígio. As prisões venezuelanas sofrem problemas de insalubridade, superlotação e violência, e, em muitos casos, são controladas por grupos de presos fortemente armados, que constantemente provocam confrontos internos.
Em agosto de 2012, ao menos 25 pessoas morreram e 43 ficaram feridas em um confronto entre facções na prisão de Yare I, perto de Caracas. Em junho de 2011, um sangrento motim na prisão do Rodeo, também perto da capital, deixou 30 mortos e vários presos foragidos. Buscando tratar dos problemas carcerários, foi criado o Ministério dos Assuntos Penitenciários em 2011, mas, segundo ativistas de direitos humanos, no primeiro ano de seu funcionamento mais de 500 presos morreram e pelo menos 1,2 mil ficaram feridos, números que superaram os dos anos anteriores.
Saúde de Chávez
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, está em seu “melhor momento” desde que passou por uma nova cirurgia para tratar um câncer em Cuba, há 45 dias, disse ontem o vice-presidente do país, Nicolás Maduro. “Ele tem um sorriso que está cheio de luz, seus pensamentos estão iluminados”, declarou Maduro, ao desembarcar no início da madrugada de ontem em Caracas, procedente de Cuba. Chávez não aparece em público desde 11
de dezembro.