Jornal Estado de Minas

Obama remodela comando militar

Republicano Chuck Hagel e assessor para contraterrorismo John Brennan são indicados para Secretaria de Defesa e CIA

Renata Tranches
Brasília – O presidente Barack Obama indicou ontem Chuck Hagle para secretário de Defesa e John Brennan para dirigir a CIA, a agência de inteligência americana. Eles formam, com John Kerry, que teve indicação para o Departamento de Estado divulgada em dezembro, a cúpula da segurança nacional no segundo mandato do democrata. Os dois novos nomes são funcionários de carreira das instituições que dirigirão e, segundo Obama, têm "experiência de campo" e conhecem as "consequências de seus atos". As escolhas são polêmicas – devem passar pela aprovação do Senado – mas indicam continuidade das posturas do governo democrata na agenda internacional.
Para fazer o anúncio, Obama convocou os atuais – Leon Panetta, na Defesa, e Michael J. Morell, na CIA – e futuros diretores das áreas e pediu celeridade para aprovar as escolhas. "Espero que o Senado aja prontamente para essas confirmações. Quando se trata de segurança nacional, não gostamos de deixar brechas no tempo de transição entres os líderes", declarou o presidente, antevendo turbulências para a apreciação de seu pedido.

A escolha de Hagle, um ex-senador republicano por Nebrasca, despertou críticas em Washington. Suas posturas e declarações o colocam em vulnerabilidade ante colegas de partido. Logo após o anúncio, o senador republicano John McCain emitiu um comunicado dizendo ter "sérias preocupações" sobre as posições de Hagel em questões de segurança. Grupos pró-Israel têm angariado apoio de republicanos e neoconservadores ao questionar o compromisso do indicado para a Secretaria de Defesa com a segurança de Israel. Hagel chamou de "lobby judeu" os grupos pró-Israel em Washington. "Ele é o líder que nossos soldados merecem", defendeu Obama sobre o veterano da Guerra do Vietnã. "Quando se trata de defender nosso país, não somos nem democratas nem republicanos. Somos americanos", disse o presidente.

Caso seja confirmado no cargo, Hagel vai assumir um Pentágono que enfrenta cortes orçamentários e a volta dos soldados norte-americanos do Afeganistão. Hagel deve apoiar uma saída mais rápida das tropas norte-americanas do Afeganistão.
Brennan, homem da extrema confiança de Obama, também tem seu passado questionado. Grupos de direitos humanos o acusam de endossar as práticas de interrogatório coercivo contra suspeitos de terrorismo durante a administração George W. Bush. Brennan, funcionário da CIA há 25 anos, nega as acusações. Segundo Obama, com o futuro diretor "a agência terá a liderança de um de nossos mais talentosos, respeitados e inteligentes profisisonais".

O assessor para contraterrorismo é conhecido por declarações polêmicas e, em entrevista de 2007, defendeu o uso de técnicas duras de interrogatório, o que são um eufemismo para a tortura. "Salvei vidas. E não esqueceremos que se trata de terroristas reincidentes, que foram os responsáveis pelo 11 de setembro, que demonstraram não ter remorso algum pela morte de 3.000 inocentes", afirmou.

A escolha dos dois, na avaliação do especialista e professor de Ciências Políticas da Grinnell College (Iowa), Wayne Moyer, dá continuidade às posições de Obama. No caso de Hagel, segundo o professor, é um exemplo de que o presidente continuará relutante quanto a qualquer intervenção militar estrangeira. "Hagel continuará não favorável a uma ação militar contra o programa nuclear do Irã", explicou em entrevista. Quanto a Brennan, na avaliação de Moyer, a principal questão está relacionada ao uso dos drones (aviões não tripulados) em ações contra o terrorismo. "Acredito que essa será a principal ênfase dos esforços da CIA contra os terroristas." Hagel e Brennan se juntam a John Kerry na cúpula da segurança nacional americana. Kerry foi indicado em dezembro por Obama e substituirá Hillary Clinton, que voltou ao trabalho ontem depois de um mês de ausência causada por uma série de problemas de saúde, incluindo um coágulo na cabeça.