La Suíza é uma das mais miseráveis favelas que compõem o Petare - maior cinturão de pobreza da Venezuela, com 1 milhão dos 30 milhões de habitantes do país. Em La Suíza falta coleta de lixo, eletricidade e água, mas a maior preocupação é com a saúde. Não das 80 famílias que moram ali, mas a do presidente Hugo Chávez. Dela depende, creem, os subsídios em comida, moradia e transporte que explicam a onipresença do bolivariano.
"Se ele morrer, tudo isso se acaba. Será um retrocesso tremendo" afirma a faxineira e cozinheira Rosa Salazar. Aos sábados, ela caminha 100 metros - 50 se atalhar por um íngreme barranco de terra - até o Mercal, o centro de distribuição de alimentos espalhado pelo chavismo nos bairros mais pobres. Ali, compra frango, leite em pó e outros produtos desembolsando em média 40% do valor pago no pé do morro, em um mercado convencional.
"Basta entrar na fila. Não é preciso dizer que vota em Chávez para comprar aqui.
Opositores de Chávez acusam o presidente de usar as casas comunais como ferramenta de campanha permanente. A "denúncia" não chega a ter repercussão, porque o governo não nega.
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Segundo especialistas, as reservas de petróleo do sexto produtor mundial explicam os subsídios não só da gasolina - o litro custa R$ 0,08 -, mas também a importação do frango brasileiro e outros produtos do Mercal. "É uma situação insustentável", diz Boris Ackerman, chefe do departamento de ciências econômicas da Universidade Simon Bolívar..