O massacre da escola de Newtown gerou uma onda sem precedentes de discussões nas mídias sociais sobre o controle de armas nos EUA, com a maioria a favor de novos limites às armas de fogo, mostrou um estudo nesta quinta-feira.
O Projeto para Excelência no Jornalismo do The Pew Research Center apontou que nos blogs e no Twitter, a política sobre armas representou quase 30% das conversas na rede social analisadas.
O tema superou até mesmo as condolências nos três dias posteriores ao massacre do dia 14 de dezembro que deixou 26 mortos na escola elementar Sandy Hook, disse o relatório. A maioria das vítimas tinha entre seis e sete anos.
A resposta nas redes sociais é muito diferente do que aconteceu no tiroteio no Arizona, em janeiro de 2011 que matou seis e feriu gravemente a congressista Gabrielle Giffords, disse Pew.
Nos primeiros três dias após o incidente, a discussão da lei sobre armas representou apenas 3% das conversas nas redes sociais, de acordo com o centro de pesquisas.
Em fevereiro de 2012, no caso da morte do adolescente Trayvon Martin desarmado na Flórida, a revolta sobre o fato de terem atirado em um suspeito e a questão da raça se sobrepuseram às questões sobre o direito de portar armas.
Nos dias que se seguiram ao massacre de Connecticut, comentários defendendo o controle de armas foram muito mais numerosos que os a favor das leis atuais, disse o estudo.
No Twitter, 64% pediram o controle versus 21% que defendeu o direito às armas, mostrou o Pew.
"A lei de armas é ridícula, nenhum homem, independente de seu histórico, deveria poder entrar em uma loja e comprar um objeto feito para matar," disse um tweet citado no estudo, enquanto outro afirmava, "Não orem, modifiquem suas leis de armas atrasadas."
Cerca de 46% dos posts dos blogs, durante este tempo, pediram reformas enquanto 21% se opuseram.
Além disso, na análise, o Pew disse que as páginas de opinião de 11 jornais de diferentes tamanhos se expressaram consideravelmente a favor dos novos controles de armas.
No total, 33 dos 51 artigos de opinião e editoriais escritos sobre o tiroteio se focaram na questão das armas e 25 pediram um controle maior, com apenas quatro defendendo os atuais direitos de porte de armas.
Um desses pedidos foi o de Nicholas Kristof, do The New York Times que escreveu: "Nós regulamos até armas de brinquedo ao exigir que elas tenham partes laranjas, mas os legisladores não têm a iniciativa de enfrentar a Associação Nacional de Rifles".
Laary Pratt, diretor executivo da Gun Owners of America, que escreveu para o USA Today tem uma visão diferente: "Espero que a tragédia de Connecticut seja o ponto de virada depois do qual um coro crescente de americanos irá pedir a eliminação das leis de áreas livres de armas que são, na verdade, áreas seguras para o crime".
O massacre chocou o país e reacendeu o debate sobre armas de fogo na sociedade norte-americana depois de anos de domínio do lobby das armas.
Os Estados Unidos sofreram uma epidemia de violência nas últimas três décadas, incluindo 62 tiroteios semelhantes ao de Newtown desde 1982, três dos mais mortais apenas na segunda metade deste ano.
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