As chamadas punições de honra são comuns nas regiões mais conservadoras do Paquistão. Ativistas de direitos humanos dizem que mais de 900 mulheres foram mortas no ano passado depois de serem acusadas de levar vergonha a sua família. Os pais da menina foram presos. Falando à imprensa, a mãe, Zaheen Akhtar, 42 anos, disse temer pelo futuro de seus outros fihos.
"Eu lamento profundamente minha ação. Estou arrependida e não deveria ter feito isso. Ela era inocente. Eu me sinto matando todos meus filhos", declarou.
"Meu outros filhos, incluindo quatro meninas e dois meninos, todos com menos de 10 anos, estão sozinhos e não têm ninguém, a não ser Alá, para olhar por eles", acrescentou.
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Paquistanesa que matou filha com ácido diz que era o destino da meninaCasal é preso por matar a filha com ácido no Paquistão"Estávamos muito preocupados com a reputação de nossa filha mais velha e temíamos que Anusha seguisse seus passos", explicou. "A mãe de Anusha não devia ter feito isso. Não consigo dormir porque sempre que fecho os olhos, vejo a face queimada de Anusha", declarou ainda.
Os dois esperaram dois dias para levar Anusha ao hospital, mas Zafar insistiu que isso aconteceu porque eles não tinham dinheiro para o transporte. As declarações desta terça-feira são bem diferentes das que a mãe de Anusha deu na véspera, falando à BBC, quando declarou que o destino de sua filha era morrer desse jeito.
Falando à BBC, o pai contou que eles haviam advertido Anusha muitas vezes de que não podia olhar para meninos. A mãe descreveu como sua filha tinha implorado por perdão. "Ela disse: 'não fiz isso de propósito, não vou fazer de novo'", contou a mãe, que também feriu o próprio braço ao manipular o ácido contra a filha. "Mas eu joguei o ácido. Era o destino dela morrer assim", completou.