Esse seleto grupo de pessoas é composto também por seus dois secretários, os sacerdotes Georg Gänswein e Alfred Xuereb, e quatro laicas da consagrada comunidade italiana Memores Domini, que cuidam do apartamento papal (residência oficial do papa). Gabriele é um romano que trabalha nesses aposentos desde 2006, depois de ter estado a serviço do prefeito da Casa Pontifícia, o arcebispo James Harvey. Segundo as fontes vaticanas, os agentes encontraram “uma grande quantidade de documentos reservados” na casa em que Gabriele vive com sua mulher e três filhos na Avenida Porta Angelica, anexa ao Vaticano.
TRAMAS O escândalo começou quando uma rede de televisão italiana divulgou cartas enviadas pelo atual núncio nos Estados Unidos e ex-secretário-geral do governo da Cidade do Vaticano, Carlo Maria Vigano, a Bento XVI, nas quais denunciava a “corrupção, prevaricação e má gestão” na administração do Vaticano. Em uma dessas mensagens, Vigano denunciou também que os banqueiros que integram o chamado “comitê de finanças e gestão” do governo e da Secretaria de Estado “se preocupam mais com seus interesses do que com os nossos”, e que em dezembro de 2009, em uma operação financeira, “queimaram (perderam) US$ 2,5 milhões”.
Depois da divulgação desses documentos, Lombardi denunciou a existência de uma espécie de Wikileaks para desacreditar a Igreja Católica. Mas o vazamento não ficou por aí. Em 19 de maio saiu às livrarias o livro Sua Santita, do jornalista Gian Luigi Nuzzi, com uma centena de novos documentos revelando tramas e intrigas no pequeno Estado. Entre as informações confidenciais que foram reveladas está a de que a organização terrorista espanhola ETA pediu ao Vaticano no início de 2011 para enviar à Nunciatura de Madri vários de seus membros para acertar com a Igreja o anúncio do fim de sua atividade armada, mas o cardeal Tarcisio Bertone o rejeitou, após falar com o bispo de San Sebastián, José Ignacio Munilla.
Lombardi anunciou que a Santa Sé levará à Justiça os autores do vazamento de todos esses documentos reservados e cartas confidenciais ao papa Bento XVI, cuja publicação qualificou como “ato criminoso”. A detenção de “Il curvo” foi anunciada um dia depois de o Banco do Vaticano (IOR) ter demitido seu presidente, Ettore Gotti Tedeschi, “por não ter desenvolvido funções de primeira importância para seu cargo”.