"Eu acredito que não importa quão difícil seja o ambiente, nada é impossível se você coloca seu coração naquilo", disse ele para uma pequena multidão na universidade, pouco após desembarcar no aeroporto internacional de Newark. "Nós devemos unir nossos braços para continuar lutando pela bondade no mundo e lutar contra a injustiça".
Ele foi recebido com aplausos no complexo de apartamentos de estudantes da Universidade de Nova York, onde vai morar com sua família enquanto frequenta o curso de Direito. "Nos últimos sete anos, eu nunca tive um dia de descanso. Então eu vim aqui para uma pequena recuperação do corpo e do espírito", comentou.
O ativista, que é cego, agradeceu os governos dos EUA e da China além das embaixadas da Suíça, Canadá e França. "Depois de muita turbulência, eu consegui sair de Shandong", disse, se referindo à província chinesa onde cumpria pena de prisão domiciliar. Segundo ele, os EUA o concederam direitos parciais de cidadania.
A chegada de Chen, sua mulher e seus dois filhos aos EUA marca o fim de quase um mês de incertezas e anos de maus-tratos por parte das autoridades locais. Após anos de repressão, ele fugiu em abril da prisão domiciliar em um vilarejo rural e recebeu abrigo na embaixada dos EUA. Na ocasião, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, estava em Pequim para reuniões bilaterais, o que causou um embaraço diplomático. Finalmente um acordo para permitir que ele viajasse aos EUA foi alcançado, após muita negociação.
Já em Nova York, Chen disse que as autoridades chinesas prometeram proteger seus direitos como cidadão do país. "Eu estou muito satisfeito de ver que o governo chinês está lidando com a situação com prudência e calma, e eu espero ver que eles continuarão a abrir um diálogo e ganhar o respeito e a confiança do povo".