"Será uma maneira de nos conhecermos. E também para dizermos com franqueza o que pensamos sobre o futuro da Europa", disse o novo presidente. "A França e a Alemanha precisam trabalhar juntas, mas não pensamos da mesma forma sobre determinados assuntos. E falaremos a respeito para encontrarmos compromissos."
A expectativa é que Hollande e Angela Merkel busquem um consenso para levar à reunião extraordinária de líderes da União Europeia (UE), dia 23, que será levado à cúpula do bloco, nos dias 28 e 29 de junho.
A proposta de Hollande de renegociar o pacto de disciplina ganhou apoio de países como a Itália, Bélgica e Grã-Bretanha, além da Comissão Europeia. A Alemanha também defende a necessidade de crescimento econômico, mas tem uma visão bem diferente sobre as medidas que devem ser adotadas
Hollande propõe o desbloqueio de recursos não utilizados pelo Banco Europeu de Investimentos (BEI) e pelos chamados fundos estruturais do continente e também a criação de eurobonds para financiar projetos de infraestrutura. Ele defende ainda ampliação do papel do Banco Central Europeu (BCE) – que passa a emprestar diretamente recursos para países, o que a Alemanha recusa.
A forte derrota do partido da chanceler, o CDU, nas eleições na Renânia do Norte-Vestfália, o estado mais populoso da Alemanha, pode reforçar, indiretamente, a posição do presidente francês, segundo analistas políticos. A austeridade fiscal defendida por Angela Merkel foi o tema central da campanha dessa eleição regional.
Porém, a chanceler permanece popular, como indica uma pesquisa publicada na revista alemã Stern. Segundo a publicação, 59% dos alemães apoiam a política de austeridade de Angela Merkel. Analistas perguntam até que ponto a França poderá desafiar a Alemanha e o Banco Central Europeu, sob o risco de criar temores sobre a qualidade da dívida francesa em um momento em que a situação na zona do euro voltou a ficar instável em razão da crise política na Grécia.