Em frente ao restaurante Kasalta, no leste de Havana, um grupo foi cercado por policiais femininas à paisana, apoiadas por agentes homens, e conduzido para dentro de um ônibus, no qual entraram mais policiais mulheres, todas em trajes civis. Policiais uniformizados interromperam o trânsito durante esta operação, que ocorreu após o meio-dia, e no qual também foram detidos três homens, entre eles o ex-preso político Angel Moya, marido de Berta Soler.
O grupo Damas de Branco, criado em 2003 por mulheres e familiares de 75 opositores presos naquele ano, estiveram reunidas de quinta até sábado em sua sede por ocasião do nono aniversário destas prisões, um evento ao qual denominam de "Primavera Negra".
No sábado, Soler e outras 20 mulheres saíram para fazer uma caminhada, mas foram interceptadas, detidas e levadas a uma delegacia policial no bairro do Cerro, onde ficaram até a meia-noite, quando foram libertadas. Enquanto estavam detidas, 30 ativistas que ficaram na sede do grupo foram alvo de um "ato de repúdio" durante cerca de três horas por parte de uma centena de simpatizantes do governo comunista, basicamente universitários que gritavam palavras de ordem e dançavam com a música reproduzida por um alto-falante.
A dissidência está intensificando seus protestos ante a aproximação da visita do Papa, entre 26 e 28 de março, mas o Sumo Pontífice não tem previsto reunir-se com os opositores cubanos, considerados por Havana "mercenários" dos Estados Unidos.