Santorum, um católico conservador, aparece, por sua vez, há várias semanas como uma solução de troca para os eleitores da ala direita do partido, que veem com reticência o liberal Mitt Romney.
No dia 3 de janeiro, em Iowa (centro), Santorum triunfou na primeira disputa republicana para designar o rival do presidente Barack Obama na eleição de 6 de novembro. Depois venceu em Missouri (centro), Colorado (oeste) e Minnesota (7 de fevereiro), confirmando seu avanço.
Mas após um desempenho medíocre em um debate televisivo nesta semana, suas perspectivas em Michigan não são animadoras. As últimas pesquisas atribuem a ele 34,8% das intenções de voto, dois pontos atrás de Romney, quando na semana passada ele tinha uma vantagem de 10%, segundo o site RealClearPolitics.
No Arizona, Romney está em uma posição mais cômoda, 10 pontos acima de Santorum.
Este último defendeu no domingo em uma entrevista a uma rede de televisão suas posturas conservadoras, declarando-se partidário do "mercado e do capitalismo" e acusando seu principal rival de ser partidário de "um governo forte e estatizante".
O ex-senador da Pensilvânia divulgou no domingo seu programa econômico, baseado principalmente em diminuição de impostos para as empresas.
Nesta semana os dois adversários escolheram a cidade de Detroit (Michigan), berço da indústria automobilística, para debater a economia.
Mas Romney cometeu um erro que fez com que ele voltasse a aparecer como desconectado dos problemas do setor americano afetado pela crise econômica, ao afirmar que sua esposa dirige "dois Cadillac", uma marca de luxo. "Se as pessoas pensam que o sucesso é um problema, seria melhor votar no outro candidato, já que eu triunfei de maneira extraordinária e quero utilizar minhas realizações para ajudar os americanos", disse Romney à rede Fox News. "A corrida será longa", advertiu Santorum na ABC.
Santorum insistiu que ter um candidato conservador com fortes valores é a única maneira de vencer Obama em novembro, em um ataque a Romney, que busca convencer os eleitores republicanos sobre suas credenciais conservadoras.
Apesar das preocupações de alguns líderes republicanos sobre o fato de que os pré-candidatos de seu próprio partido vão muito longe em seus discursos de direita com o objetivo de atrair eleitores para as presidenciais de novembro, Santorum defendeu sua posição de conservador religioso, chegando inclusive a atacar o famoso presidente John F. Kennedy, cujo discurso em 1960 exaltou o ideal americano de separar a Igreja do Estado.
"Não acredito nos Estados Unidos no qual a separação do Estado e da Igreja seja absoluta", disse Santorum, antes de afirmar que o discurso de Kennedy provocou vontade de vomitar.
"A ideia de que a Igreja não possa ter nenhuma influência ou participação na gestão do Estado é absolutamente antiética para os objetivos e a visão de nosso país", completou.