Entre as vítimas está um comandante anti-Kadafi, morto na madrugada desta quarta-feira. Dau al-Salihine Jadak, que comandava a frente norte de Bani Walid, morreu quando um foguete atingiu seu automóvel, declarou à AFP Abdullah Kenchil, uma autoridade local do Conselho Nacional de Transição. "Morreu dentro de Bani Walid quando se dirigia à zona dos combates", declarou Kenchil, afirmando que Jadak era um dos principais comandantes que participava da batalha de Bani Walid.
Oriundo de Bani Walid, em 1993 Dau al-Salihine Jadak desenvolveu ações hostis ao regime de Muamar Kadhafi, que fizeram com que passasse 18 anos preso. Foi libertado apenas em fevereiro, durante a revolta popular que derrubou o líder líbio, atualmente foragido. Esta baixa é um duro golpe para os combatentes do CNT, que enfrentam forte resistência das tropas kadhafistas e não conseguem avançar.
"A Otan está presente, mas não intervém o bastante. (...) Precisamos de mais ajuda da Otan", explicou à AFP Walid Jaimej, um capitão das forças do CNT. Desde o fim de março, a Otan dirige uma coalizão internacional de intervenção na Líbia, sob o mandato da ONU, para proteger a população civil, vítima da repressão do regime de Kadafi.
Muamar Kadafi desapareceu desde a queda de seu quartel-general em Trípoli, no dia 23 de agosto, e é alvo de uma ordem de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI) por supostos crimes contra a Humanidade. A Interpol divulgou um aviso de busca internacional.
A cidade litorânea de Sirte, de 70 mil habitantes, está cercada há vários dias pelos combatentes do CNT, que anunciaram ter tomado o controle do porto na terça-feira. Já a Otan denunciou na terça-feira uma grave degradação da situação humanitária para os civis de Sirte e de Bani Walid.
Segundo a ONU, a situação de dezenas de milhares de habitantes que fugiram das duas cidades também é preocupante. No plano político, em Benghazi (leste) foi anunciada a formação da Reunificação Nacional pela Justiça e a Democracia (RNJD), um partido político que quer instaurar um Estado baseado no direito e na descentralização. Pelo contrário, o CNT anunciou que a formação de um governo de transição, adiada várias vezes por discordâncias internas, só irá ocorrer quando todo o país estiver sob seu controle.