Os ataques complicaram ainda mais as relações entre os dois países, aliados estratégicos há 10 anos, que se distanciaram depois da ação unilateral americana que matou Osaba Bin Laden no dia 2 de maio no norte do Paquistão. Na última quinta-feira, o almirante americano Mike Kullen acusou Islamabad de exportar a violência para o Afeganistão ao apoiar a Haqqani por meio de seu serviço secreto (ISI).
Depois destas acusações, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Paquistão, o general Ashfaq Kayani, considerado por muitos observadores o homem-forte do país, convocou no domingo uma "reunião especial" com o alto comando das forças militares. Segundo uma fonte que acompanha as discussões, os líderes militares paquistaneses reafirmaram a vontade de permanecer, pelo menos por hora, em suas posições e resistir à pressão americana.
"Eu não acredito que os indicadores vão neste sentido" quanto a uma eventual ofensiva no Waziristão do Norte, declarou nesta segunda-feira à AFP. Segundo o gabinete de primeiro-ministro paquistanês Yusuf Raza Gilane, a ministra paquistanesa das Relações Exteriores, Hina Rabbani Khar, é esperada na terça-feira diante da Assembleia Geral das Nações Unidas para explicar o ponto de vista de Islamabad.
Domingo, o chefe de Estado-Maior das Forças Armadas do Paquistão, Khalid Shameem Wyne, disse estar preocupado com as tensões dos dois países e ressaltou a necessidade de uma "confiança mútua", depois de ter se reunido com o general James Mattis, chefe do comando central das Forças Armadas americanas. O embaixador americano no Paquistão, Cameron Munter, esteve nesta segunda-feira com o ministro das Relações Exteriores paquistanês, Salman Bashir. Um porta-voz do ministério afirmou que os dois homens expressaram a vontade dos países de "dissipar os mal-entendidos por meio de contatos bilaterais".
O Exército paquistanês, que possui 140.000 soldados no noroeste ao longo da fronteira afegã, acredita que já fez muito durante esses dez anos para reprimir os rebeldes islamitas em seu território a pedido dos americanos. A instituição ressalta que mais de 3.000 soldados do país morreram desde o fim de 2001, enquanto 2.735 soldados ocidentais foram mortos no Afeganistão, e que suas tropas já lidaram duramente com os talibãs nesta região tribal, considerada por Washington o quartel general da Al-Qaeda.
"Existem problemas mais urgentes para resolvermos" do que o Waziristão do Norte, afirmou o chefe militar paquistanês. Enquanto isso, os americanos bombardeiam regularmente a região e o governo Paquistanês pouco protesta. Fundada nos anos de 1980 por um comandante da resistência anti-soviética, na época financiado pela CIA, a rede Haqqani é o braço dos talibãs afegãos, o grupo mais próximo da Al-Qaeda. Washington acusa o Paquistão de apoiar esse grupo para proteger seus interesses no Afeganistão e para lutar contra a influência de seu vizinho inimigo, a Índia, aliada dos EUA.