Publicidade

Estado de Minas

Vítimas de pedofilia elevam o tom de voz antes da chegada do Papa a Berlim


postado em 14/09/2011 12:52

Uma associação de vítimas de sacerdotes católicos pedófilos pediu nesta quarta-feira em Berlim, oito dias antes da chegada do Papa, que o arcebispado da capital alemã envie os registros em sua posse ao Tribunal Penal Internacional (TPI).

Na terça-feira, a SNAP, associação fundada nos Estados Unidos, deu um golpe de efeito midiático ao apresentar uma acusação "por crimes contra a humanidade" perante o TPI, uma ação essencialmente simbólica. Segundo os especialistas, esta diligência, que não corresponde a um processo, mas a uma "comunicação", não tem nenhuma possibilidade de chegar ao fim.

Nesta quarta, faltando apenas oito dias para uma visita de Bento XVI a Berlim, a SNAP fez este pedido durante uma coletiva de imprensa organizada em uma rua atrás da catedral de Santa Edwiges, no centro da capital alemã. "Na época, o arcebispo Ratzinger deixou indefesas em Munique crianças como eu nas mãos de criminosos, como o padre Peter H. É grave. Espero que o Papa compreenda que deve mudar sua política para proteger as crianças", declarou Wilfried Fessellmann.

Este alemão, membro da SNAP e vítima de um padre pedófilo quando tinha 11 anos, escreveu ao Papa em várias ocasiões e pediu para ser recebido por ele durante sua visita a Berlim. "A SNAP quer conseguir que nenhuma criança sequer seja vítima de abusos sexuais ou de estupros cometidos por um padre", disse a presidente da associação, Barbara Blaine, ao mesmo tempo em que mostrava fotos das vítimas.

A SNAP prepara uma manifestação junto com outras associações durante a visita à Alemanha de Bento XVI, que estará no país de 22 a 25 de setembro.

Já o procurador do TPI só pode iniciar uma investigação contra o Papa a pedido de um Estado que tenha ratificado o Estatuto de Roma (que fundou o TPI), do Conselho de Segurança das Nações Unidas ou por iniciativa própria. Não investiga as pessoas, mas os crimes.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade