A descoberta de mais destroços do Airbus A330 e a possibilidade de que entre eles haja corpos em condições de identificação, como anunciado pelo Escritório de Investigações e Análises (BEA) — órgão da França que lidera as apurações —, reacendeu não só a dor de quem perdeu um ente querido na tragédia, mas a discussão sobre o curso das investigações. A Associação dos Familiares das Vítimas do Voo 447 defende que o governo brasileiro participe de forma mais ativa do caso, sob a alegação de que os franceses não têm sido transparentes.
Apesar da reivindicação, o Ministério da Defesa explica que não há possibilidade de o Brasil entrar no caso. Isso ocorre por conta da legislação internacional, segundo a qual a responsabilidade de investigar desastres aéreos é do país de origem da empresa aérea envolvia. Neste caso, o país responsável pelas investigações é a França. A Defesa destaca que, caso seja solicitado, o Brasil pode eventualmente auxiliar, mas não tem autonomia para comandar a apuração.
Pedido a Dilma
A luta para a instauração, no Brasil, de um inquérito que apure o que provocou o acidente foi iniciada ainda em 2009, meses após o acidente. O processo está nas mãos do Procurador-Geral do Estado de Pernambuco, Thiago Arraes de Alencar Norões. Além dessa tentativa de forçar uma participação brasileira no caso, a associação pediu um encontro com a presidente Dilma Rousseff. “Queremos mostrar-lhe a necessidade de que se defendam interesses dos cidadãos brasileiros”, destacou o presidente da associação, Nelson Faria Marinho.
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Parentes de vítimas do voo 447 cobram maior apuraçãoVoo Rio-Paris: Jobim diz às famílias que ajudará no resgateA fim de convencer da necessidade de entrada do Brasil no caso, os presentes entregarão um relatório que aborda diversos defeitos no Airbus A330. O documento de 700 páginas foi conseguido na França, entregue à Associação dos Familiares das Vítimas do Voo 447 pelo Sindicato dos Aeroviários da França. “Lá, constam diversos relatos de pilotos da companhia aérea que demonstram que a Air France foi negligente”, acrescentou Marinho.