O mundo terá que modificar seu parecer sobre a energia nuclear depois da crise em curso na central de Fukushima 1 no Japão, declarou nesta segunda-feira, em Viena, o diretor da Agência Internacional de Energia Nuclear (AIEA) Yukiya Amano.
"Não podemos retomar uma visão rotineira" após um tal acidente, acrescentou.
Os danos
A central de Fukushima 1 foi severamente destruída pelo terremoto e tsunami gigantes que varreram o nordeste do Japão em 11 de março. Operários, bombeiros e soldados derramaram dezenas de milhares de toneladas de água nas instalações dia e noite para impedir que as barras de combustível nos reatores entrem em fusão.
Se a prioridade consiste atualmente em estabilizar os reatores, também é preciso "começar também o processo de reflexão e avaliação" sobre o uso civil em geral do átomo, disse o chefe da AIEA.
O acidente foi motivo de "uma viva discussão sobre o fato de saber se deveríamos ou não desenvolver a energia nuclear", acrescentou o chefe da autoridade da segurança nuclear chinesa, Li Ganjie, que preside a reunião da CSN.
Numerosos países estão em vias de reavaliar sua política ou seus projetos em matéria de energia nuclear, destacou Amano.
No final de 2010, mais de 60 países informaram à AIEA, que têm como missão promover o uso pacífico e seguro do átomo, que pensavam em colocar em prática programas de energia nuclear, e quase a totalidade do conjunto dos 29 países dotados de tais programas indicaram querer ampliá-los.
Fatores a favor não mudaram
Segundo Amano, os principais fatores em favor da energia atômica - aumento da demanda mundial de energia, preocupações com as mudanças climáticas, e volatilidade dos preços do petróleo ou do gás - "não mudaram após Fukushima."
Mas "as preocupações de milhões de pessoas no mundo a respeito da energia nuclear devem ser levadas a sério", reconheceu.
"Uma adesão completa aos critérios de segurança internacionais mais rigorosos e uma completa transparência, nos bons e nos maus momentos, são vitais para restabelecer e manter a confiança da população na energia nuclear", estimou.
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Japão adverte que deter vazamento radioativo vai durar mesesTepco jogará 11.500 toneladas de água radioativa no marA Convenção sobre a Segurança Nuclear, ratificada pelo conjunto de países que dispõem de centrais nucleares, entrou em vigor em 1996, após as catástrofes de Three Miles Island, nos Estados Unidos, e de Chernobyl, na Ucrânia.
Ela visa melhorar a segurança nos reatores eletronucleares em uso. Seus especialistas se reúnem a cada três anos sob o patrocínio da AIEA.