Um morador do Bairro Vila Maria, em Lagoa Santa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, afirma que o local está infestado de caramujos africanos gigantes há pelo menos 10 anos. Em um vídeo gravado na Rua Cândido Vieira, onde funciona a creche Centro de Educação Infantil Menino Jesus, é possível ver diversos indivíduos da espécie “Achatina fulica" que, segundo o morador, "brota do chão quando está chovendo".
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“Aqui em casa convivemos há muitos anos, temos até que pedir licença ao animal para podermos entrar. Levo na brincadeira, mas na verdade estou preocupado com o risco de doenças, ele é nojento, gosmento e assustador”.
O morador conta que já procurou por diversas vezes o setor de zoonoses da prefeitura para fazer a catação do animal e o descarte seguro, mas que nunca teve a demanda atendida. Ele também relata que a população do bairro pode colaborar na prevenção. Na rua há um lote abandonado onde se formou um matagal, local propício para abrigo do caramujo gigante africano.
De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), nos ambientes urbanos as populações desses moluscos são muito densas, invadem e destroem hortas e jardins. Além disso, como essas populações são formadas por animais de grande porte (10cm, em média) causam muitos transtornos às comunidades das áreas afetadas.
Em relação às doenças, existem duas zoonoses que podem ser transmitidas pelo caramujo africano. Uma delas é chamada de meningite eosinofílica, causada pelo verme Angiostrongylus cantonensis, que passa pelo sistema nervoso central, antes de se alojar nos pulmões. O ciclo da doença envolve moluscos e roedores, sendo que o homem pode entrar acidentalmente neste ciclo.
A Fiocruz recomenda que a melhor opção é a catação manual com as mãos protegidas com luvas ou sacos plásticos. Esse procedimento pode ser realizado nas primeiras horas da manhã ou no início da noite, horários em que os caramujos estão mais ativos e é possível coletar a maior quantidade de exemplares. Durante o dia, eles se escondem para se proteger do sol.
Procurada pela reportagem do Estado de Minas para saber quais providências sanitárias estão sendo tomadas para evitar a proliferação do animal, bem como a fiscalização em lotes abandonados, a prefeitura de Lagoa Santa não respondeu às perguntas até a publicação desta matéria.